Democratas pedem renúncia do secretário de Justiça de Trump por ligação com russos

Em Washington

  • Kevin Lamarque/Reuters

    Secretário de Justiça, Jeff Sessions, durante confirmação no cargo no Senado

    Secretário de Justiça, Jeff Sessions, durante confirmação no cargo no Senado

Altos cargos democratas no Congresso pediram nesta quinta-feira (2) a demissão do secretário de Justiça dos Estados Unidos, Jeff Sessions, após a revelação de que ele se reuniu com embaixador russo em Washington durante a campanha presidencial, algo que ocultou do Senado.

Sessions, cujo cargo é o equivalente em outros países ao de ministro da Justiça, é o responsável por supervisionar a investigação sobre a suposta ingerência russa durante as eleições e as supostas ligações entre a campanha do agora presidente Donald Trump e o Kremlin.

A líder democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, lembrou que Sessions "mentiu sob juramento" quando negou contatos com funcionários russos durante seu processo de confirmação no Senado e pediu sua demissão.

"O secretário deve renunciar", disse a congressista, solicitando que se forme uma "comissão independente, bipartidária e externa que investigue as conexões políticas, pessoais e financeiras de Trump com os russos".

Também pediu a cabeça do secretário a senadora Elizabeth Warren. "Será que o secretário terá a última palavra na investigação das forças de segurança sobre as ligações entre a campanha de Trump e Rússia? É farsa. Isso não é normal", disse a senadora, que propôs a designação de um promotor especial que fique encarregado pela investigação.

A nomeação de um promotor especial também encontrou o apoio do senador Lindsey Graham, um habitual entre os republicanos críticos de Trump, que disse que, se se confirmarem as informações sobre Sessions, este deveria se afastar da investigação.

Todos eles reagiram às informações publicadas na noite de quarta-feira (1º) pelo "The Washington Post" sobre os encontros entre Sessions, então senador e assessor da campanha de Trump, com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak, em julho e setembro do ano passado, meses antes das eleições.

Estas reuniões ocorreram no meio de uma tempestade política pela suposta ingerência do Kremlin em favor de Trump em forma de ataques cibernéticos contra servidores do Partido Democrata e da campanha de sua candidata, Hillary Clinton.

O próprio Sessions reagiu à informação divulgada pelo jornal. "Nunca me reuni com funcionários russos para falar de assuntos da campanha. Eu não tenho ideia do que é isso. É falso", disse em comunicado.

O secretário alega que seus encontros com Kislyak não tiveram nada a ver com a campanha de Trump e que esteve com ele como membro do Comitê de Serviços Armados do Senado.

Durante o processo de confirmação no Senado, Jeff Sessions foi questionado pelos democratas sobre sua disposição em investigar supostas ligações da campanha de Trump com o Kremlin como futuro chefe do Departamento de Justiça.

"Se há alguma prova que algum membro da campanha de Trump se comunicou com o governo russo durante esta campanha, que o faria?", perguntou o senador Al Franken, e a resposta de Sessions foi: "Não tenho conhecimento de nenhuma dessas atividades".

Além disso, Sessions afirmou que "não teve contatos com russos".

Estas revelações ameaçam criar uma nova crise no governo de Trump, que já viu há umas semanas como os contatos com Kiskyak antes, durante e depois das eleições lhe custaram o posto ao então assessor de segurança nacional da Casa Branca, general Michael Flynn.

O presidente Trump negou sempre qualquer tipo de conexão de sua campanha com o Kremlin.
 

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