Escândalo de compra e venda de votos obscurece eleições na Bulgária

Vladislav Púnchev.

Sófia, 26 mar (EFE).- Um escândalo de compra e venda de votos obscurece as eleições que estão sendo realizadas neste domingo na Búlgaria, onde 6,8 milhões de pessoas vão às urnas para escolher, pela terceira vez em quatro anos, membros de um novo parlamento.

Oito pessoas, entre elas o presidente de uma seção eleitoral do norte do país, foram detidas hoje, horas depois da abertura das urnas, informou o procurador-geral da Bulgária, Sotir Tsatsarov.

Apenas entre o início da votação, que começou às 7h locais (1h em Brasília) até o meio-dia, a Procuradoria recebeu 79 denúncias de irregularidades, que se somam às 400 dos dias anteriores. Já foram abertas 73 investigações por compra e vendas de votos no país.

"Em comparação com as eleições anteriores, as denúncias por irregularidades no processo eleitoral, entre elas a compra e venda de votos, quase duplicaram. Até o momento, são 534", indicou o procurador-geral à emissora "Nova TV".

O voto custa cerca de 15 euros, segundo Tsatsarov. Os interessados oferecem dinheiro e comida a diversas pessoas. Há também empresários que forçam seus funcionários a voltarem em determinados partidos.

Por volta das 12h locais, a participação era de apenas 8,44% dos eleitores, um número superior ao registrado no mesmo momento do último pleito, informou o porta-voz da Comissão Central Eleitoral da Bulgária, Alexander Andreev.

Espera-se que cinco ou seis partidos consigam votos suficientes para formar o novo parlamento. As pesquisas apontam um empate entre o GERB, partido do ex-primeiro-ministro conservador Boiko Borisov, e o Partido Socialista Búlgaro, de Korlenia Ninova.

"Votei por uma Bulgária estável, previsível e íntegra. Os problemas na fronteira com a Turquia e fora dela são tão graves que a nação deve atuar como um órgão íntegro", disse Borisov ao votar na cidade de Bakya, que fica a 20 quilômetros de Sófia.

O líder conservador populista, que provocou a antecipação do pleito após renunciar em novembro do ano passado, destacou o entusiasmo entre os eleitores que o esperavam para votar.

Borisov reforçou as críticas às tentativas da Turquia de tentar influenciar no voto da minoria turca, que, com cerca de 700 mil pessoas, é a maior na Bulgária.

"Se os búlgaros decidirem hoje que nós devemos governar, falaremos muito sobre Turquia nos próximos dias", afirmou.

Ninova também falou sobre as relações com a Turquia ao votar na capital do país. A candidata disse que é a opção para a mudança, para a segurança na fronteira e nos lares dos búlgaros.

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