Senado dos EUA pede que ex-assessor de Trump entregue documentos sobre Rússia

Washington, 23 mai (EFE).- O Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos ordenou nesta terça-feira que o general aposentado Michael Flynn, ex-assessor de segurança nacional do presidente Donald Trump, entregue documentos sobre duas de suas empresas por sua possível relação com Rússia.

O presidente do Comitê de Inteligência do Senado, o republicano Richard Burr, e seu vice-presidente, o democrata Mark Warner, anunciaram hoje sua nova solicitação em uma coletiva de imprensa.

De acordo com Burr, a nova petição de documentos acontece em resposta à decisão anunciada ontem pelos advogados de Flynn, que foi assessor de segurança nacional de Trump durante o primeiro mês do mandato do republicano até que se viu forçado a renunciar em meados de fevereiro.

Os advogados do ex-general afirmaram que Flynn tinha decidido acolher-se às proteções oferecidas pela Constituição para não entregar documentos solicitados pelo Senado e considerados relevantes à investigação sobre a tentativa russa de influenciar no resultado das eleições de novembro do ano passado.

Concretamente, os advogados disseram que Flynn se acolheria à Quinta Emenda da Constituição americana que concede a qualquer indivíduo o direito de não testemunhar se suas palavras puderem ser usadas para prejudica-lo, ou seja, para incriminar-se por um delito.

Em sua notificação, os advogados de Flynn argumentaram que a petição de documentos feita pelo Senado em 10 de maio era muito ampla e, por isso, os dados poderiam acabar sendo usados contra seu cliente.

Em resposta, segundo Burr, o Comitê de Inteligência decidiu fazer duas petições muito "específicas" para obter informação sobre duas empresas de Flynn: Flynn Intel LLC e Flynn Intel Inc, as duas baseadas em Alexandria (Virgínia) e aparentemente destinadas a fornecer serviços de inteligência em nível global.

Os líderes do Comitê de Inteligência também anunciaram que enviarão uma carta aos advogados de Flynn para questionar seu direito a acolher-se à Quinta Emenda, normalmente usada para proteger o direito a não testemunhar e não para evitar a entrega de documentos, como neste caso.

"Tomamos medidas que consideramos apropriadas agora. Se não houver uma resposta, buscaremos conselho adicional sobre como proceder", declarou Burr, ressaltando que, se Flynn se negar a colaborar de maneira seguida com as investigações, existe a opção de indiciá-lo por "desacato".

Flynn se viu obrigado a renunciar pela crise interna criada por ter ocultado informação do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, sobre seus contatos com o embaixador russo, Serguei Kislyak, durante o período de transição.

O ex-assessor de segurança nacional é um dos mais expostos à suspeita de que membros da equipe de Trump podem ter se coordenado de algum modo com o Kremlin para prejudicar as chances de eleição da candidata democrata à presidência, Hillary Clinton.

Na semana passada, meios de comunicação americanos revelaram informação de inteligência que indicam que os russos se orgulhavam de poder influenciar o governo Trump através de Flynn.

Em dezembro de 2015, Flynn viajou a Moscou para participar do aniversário da emissora de televisão russa "RT", pelo que recebeu US$ 45.000, algo que deveria ter revelado uma vez que, até 2014, foi diretor da Agência de Inteligência de Defesa.

Além disso, se investiga o pagamento de mais de US$ 500 mil por parte do Executivo turco para representar seus interesses em Washington, sem que o montante fosse declarado ao Departamento de Justiça como exige a lei para atividades de assessoria de governos estrangeiros.

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