Polônia lembra genocídio de seus nacionais na Ucrânia durante Segunda Guerra

Varsóvia, 11 jul (EFE).- A Polônia lembra nesta terça-feira, pela primeira vez com eventos e cerimônias de homenagem em diferentes pontos do país, as vítimas dos massacres cometidos na Ucrânia contra a população polonesa durante a Segunda Guerra Mundial, nos quais estima-se que morreram até 100 mil pessoas.

O parlamento polonês decidiu instaurar neste ano a data de 11 de julho como o dia nacional em lembrança do genocídio de poloneses na Ucrânia.

Entre março de 1943 e o fim de 1944, grupos nacionalistas ucranianos fizeram uma operação de limpeza étnica no oeste da Ucrânia, que na época fazia parte do leste da Polônia, aproveitando que a região estava sob ocupação nazista.

A Polônia tinha ocupado anteriormente uma faixa do oeste da Ucrânia, que submeteu a uma forte "polonização" em anos anteriores, obrigando, por exemplo, o uso do seu idioma nas escolas e relegando a população de etnia ucraniana.

O dia 11 de julho coincide com o aniversário do conhecido na Polônia como o "domingo sangrento" de 1943, quando os nacionalistas ucranianos atacaram mais de 100 aldeias com maioria de população polonesa.

Segundo o Instituto para a Memória Nacional (IPN, sigla em polonês) da Polônia, os nacionalistas ucranianos desenvolveram um plano para "limpar de poloneses" a faixa ocidental da Ucrânia, com massacres sistemáticos que deixaram até 100 mil mortos, sob a indiferença e, em algumas ocasiões, com a colaboração das autoridades nazistas.

Outros historiadores estimam que a cifra de poloneses mortos é menor, e a situa em entre 30 e 60 mil pessoas.

Entre os nacionalistas ucranianos estava Michael Karkoc, um aposentado de 98 anos que vive em Minessotta, nos Estados Unidos. Segundo o IPN, Karkoc era o tenente da seção ucraniana da SS (Legião Ucraniana de Autodefesa) que em 23 de julho de 1944 ordenou o massacre de pelo menos 44 poloneses.

A Polônia pediu oficialmente aos EUA a extradição de Karkoc para julgá-lo por crimes contra a nação polonesa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, centenas de simpatizantes dos partidos nacionalistas do oeste da Ucrânia se uniram às forças nazistas e grupos como a Legião Ucraniana se destacaram pela sua especial violência contra a população de etnia polonesa.

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