Países árabes mantêm boicote, mas oferecem diálogo ao Catar

Manama, 30 jul (EFE).- Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein e Egito mostraram neste domingo sua disposição a dialogar com o Catar para resolver a crise diplomática teve início há quase dois meses, mas mantiveram suas exigências para normalizar as relações com Doha.

Em uma reunião Manama, os ministros de Relações Exteriores dos quatro países, que iniciaram o boicote no último dia 5 de junho, reiteraram suas demandas, sendo a principal delas o Catar deixar de apoiar e financiar o terrorismo.

"Os quatro países anunciam sua disposição ao diálogo com o Catar com a condição de que anuncie o seu desejo sincero de encerrar o apoio e o financiamento do terrorismo e do extremismo e a difusão do discurso do ódio", disse o chanceler do Bahrein, Khalid bin Ahmed Al Khalifa, em entrevista coletiva com seus homólogos.

Além disso, pediu ao Catar que se "comprometa a não intervir nos assuntos de outros países" e que cumpra com as 13 exigências feitas pelo quarteto árabe, entre elas o fechamento da emissora "Al Jazeera" e de uma base militar turca em solo catariano.

Al Kaalifa insistiu que os quatro países reunidos em Manama não abriram mão de nenhuma das demandas, apesar de se mostrarem abertos a negociar.

Por sua vez, o ministro de Relações Exteriores egípcio, Sameh Shoukry, indicou na coletiva que caso finalmente haja um acordo, será criada "uma ferramenta" para dar seguimento ao desenvolvimento da aplicação do mesmo, indicando desconfiança em relação ao Catar.

Em um comunicado conjunto emitido no final do encontro, os chanceleres destacaram "a importância de o Catar responder às 13 exigências, que têm como objetivo reforçar a luta contra o terrorismo e o extremismo, e alcançar a segurança na região (do Oriente Médio) e no mundo".

Além disso, a nota assinala os seis princípios essenciais que foram expostos na reunião dos quatro representantes realizada no Cairo no início de julho.

Esses seis pontos se referem principalmente à luta contra o terrorismo e o extremismo, bem como o seu financiamento, a rejeição à intromissão nos assuntos internos de outros países, e a aplicação dos acordos de Riad de 2013 e 2014, que Doha assinou.

Em 2014, Arábia Saudita, EAU e Bahrein retiraram seus embaixadores em Doha durante alguns meses, mas aceitaram restabelecer as relações após o governo do Catar assumir uma série de compromissos.

Os três vizinhos do golfo Pérsico e o Egito acusam as autoridades catarianas de não respeitarem os pactos firmados, entre eles a expulsão de membros importantes da Irmandade Muçulmana, que se refugiaram no pequeno emirado.

Além disso, acusam o Catar de apoiar outros grupos "terroristas", como a ex-filial síria da Al Qaeda e o movimento palestino Hamas.

Os quatro países também acusaram Doha neste domingo de impor "obstáculos" aos habitantes do emirado para que viajem para a cidade santa da Meca, na Arábia Saudita, para realizar a peregrinação, que neste ano acontecerá no final de agosto.

O chefe da diplomacia saudita, Adel al-Jubeir, voltou a afirmar que os peregrinos catarianos "são bem-vindos", ainda que Riad tenha dito anteriormente que terão que viajar ao país em aviões que não pertençam à companhia Qatar Airways.

A Arábia Saudita mantém fechada a fronteira terrestre com o Catar - a única do emirado, situado em uma península -, além de vetar os voos diretos e o trânsito dos aviões da companhia catariana.

Bahrein e EAU adotaram medidas similares, bloqueando também o tráfego naval como forma de pressão sobre o Catar e sua economia, que depende das importações.

Após a reunião de hoje em Manama, o quarteto não anunciou novas sanções e o governo barenita ressaltou que o único país mediador na crise é o Kuwait, apesar de outros já terem tentado intervir, como Estados Unidos, Alemanha e França.

Hoje os países árabes tampouco apontaram a possibilidade de expulsar o Catar do Conselho de Cooperação do Golfo, integrado também por Arábia Saudita, EAU, Bahrein, Omã e Kuwait.

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