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Bangladesh expulsa mais de 500 rohingyas que fugiram de Mianmar

28/08/2017 09h32

Daca, 28 ago (EFE).- As autoridades de Bangladesh expulsaram pelo menos 511 integrantes da minoria muçulmana rohingya, 221 deles nas últimas 24 horas, que tentaram entrar durante os últimos quatro dias no país vindos de Mianmar, onde um novo surto de violência deixou cerca de 100 mortos.

O rio Naf, que serve como fronteira natural entre Bangladesh e Mianmar, é o ponto mais quente deste novo fluxo de rohingyas, com integrantes desta minoria que tentam alcançar o território de Bangladesh através de embarcações.

Em um dos incidentes ocorridos nesta segunda-feira, 141 rohingyas foram expulsos, conforme revelou à Agência Efe Shariful Islam Jamaddar, subcomandante da guarda fronteiriça de Bangladesh na região de Teknaf, no sudeste do país. O policial acrescentou que seu pessoal espera que os migrantes tentem entrar no país outra vez a qualquer momento, por isso os agentes estão em "alerta".

"Podemos ouvir o choro das crianças na outra margem do rio, mas não podemos ajudá-los", explicou Jamaddar.

O oficial da polícia a cargo de Teknaf, Mainuddin Khan, acrescentou que outras sete pessoas pertencentes a esse grupo étnico muçulmano foram detidas na área e expulsas para o outro lado da fronteira.

Além disso, na região de Ukhia, também perto da fronteira com Mianmar, foram detidos e expulsos 73 rohingyas, disse à Efe Kai Kislu, um oficial de polícia na área.

"Também detivemos dois traficantes rohingyas, que os ajudavam a entrar em Bangladesh", detalhou Kislu.

Entre os que conseguiram migrar com sucesso em Bangladesh, "mais de 3 mil" segundo a ONU, está o agricultor Shafiullah, de 40 anos, que entrou hoje em território bengalês com sua mulher e seus cinco filhos.

"Tentei entrar ontem com um grupo, mas a guarda fronteiriça nos afugentou, mas hoje corremos até Bangladesh após ouvirmos disparos do lado de Mianmar", explicou Shafiullah, que acrescentou que estava há três dias na fronteira esperando uma oportunidade para entrar.

Segundo o agricultor rohingya, "os budistas saquearam" sua casa após os ataques e levaram "todos os artigos de metal" para evitar que ele pudesse usá-los para enfrentá-los.

Algumas das pessoas que entraram em Bangladesh estavam feridas e o chefe da segurança da Escola de Medicina e Hospital de Chittagong, Mohammad Alauddin, disse hoje à Efe que 17 rohingyas deram entrada no centro durante os últimos dias, dos quais um suposto rebelde morreu, e os demais estão sendo tratados.

"Quatorze deles tem ferimentos de bala e os outros apresentam queimaduras", detalhou Alauddin.

A nova crise de refugiados começou na sexta-feira com os ataques reivindicados por rebeldes rohingyas contra forças de segurança no conflituoso estado de Rakhine, em Mianmar, onde estão a maioria dos membros desta minoria muçulmana.

Mais de 1 milhão de rohingyas vivem em Rakhine, onde sofrem discriminação crescente desde o surto de violência sectária de 2012, que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120 mil pessoas desta etnia confinados em 67 acampamentos de deslocados.