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Merkel assume erros um ano após ataque jihadista em Berlim

Em Berlim

19/12/2017 14h55

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reconheceu nesta terça-feira que o Estado cometeu erros em relação à segurança e ao suporte às vítimas ao enfrentar seu primeiro grande atentado jihadista, ocorrido há um ano em Berlim e que custou a vida de 12 pessoas.

Merkel assumiu seus erros e os de seu governo durante um dia de céu nublado e frio, repleto de atos comemorativos junto ao mercado de rua natalino onde o tunisiano de 24 anos Anis Amri atropelou várias pessoas com um caminhão roubado antes de ser abatido pela polícia italiana em Milão quatro dias depois.

"Hoje é um dia de tristeza, mas também de mostrar a vontade de fazer melhor aquilo que não foi bem", ressaltou a chanceler, que indicou que o atentado evidenciou as "debilidades do Estado".

A líder democrata-cristã assumia assim as principais críticas que recebeu nas últimas semanas, especialmente dos afetados, que mostraram sua insatisfação em uma carta aberta por não terem sido recebidos pela chanceler - algo que ela fez ontem pela primeira vez.

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Os feridos e pessoas próximas das vítimas também se queixaram dos entraves burocráticos com os quais que tiveram que lidar para receber as ajudas que lhes correspondiam e a pequena quantia de prestações em comparação com as que são concedidas por outros países europeus, como França e Espanha.

Merkel indicou que seu governo não só deve melhorar a segurança dos seus cidadãos, mas também dar a todos os afetados "a oportunidade" de se restabelecer após o golpe.

Nesse contexto, lembrou o encontro que teve ontem com feridos e familiares das vítimas - uma conversa "muito aberta e sem hipocrisias" - e apontou que pensa em voltar a se reunir com eles "em alguns meses" para mostrar "que aprendeu" e "que é possível fazer melhor no futuro" para que a resposta do Estado seja "suficiente".

Em um discurso prévio, o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, também se queixou, assumindo que algumas ajudas "chegaram tarde" e foram "insatisfatórias" e pediu à classe política que esclarecesse os erros e aprendesse com eles.

Steinmeier se referia assim ao acúmulo de erros das diferentes administrações e das forças de segurança, que não puderam expulsar do país o autor do atentado, apesar de seu pedido de asilo ter sido rejeitado e de saber sobre seus vínculos com extremistas e que desperdiçaram a oportunidade de detê-lo por outros delitos menores.

Para o presidente alemão, é preciso partir do princípio que "o atentado nunca deveria ter acontecido" e perguntar se realmente está sendo feito todo o possível em um Estado constitucional e democrático para evitar os ataques terroristas.

"Não ceder à chantagem dos jihadistas não significa silenciar as vítimas", acrescentou Steinmeier, antes de garantir aos sobreviventes que suas queixas "não são ignoradas, não deixam impassíveis nenhum dos responsáveis neste país".

O dia começou com um ato religioso na Gedächtniskirche, a emblemática igreja bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e que fica próxima ao local do atentado, e a inauguração de um monumento em memória das vítimas na praça do mercado de rua, onde ficaram inscritos no chão os nomes e nacionalidades dos 12 mortos.

Para esta tarde também está prevista a celebração de uma missa na Gedächtniskirche e 12 minutos de badaladas do sino da igreja às 20h02 (horário local, 17h02 em Brasília), momento exato em que o caminhão invadiu a praça do mercado natalino.

Paralelamente aos atos oficiais, foram convocadas pelo menos três manifestações nos arredores do local do ataque, entre elas uma concentração contra o islamismo e outra organizada pelo partido neonazista NPD sob o lema "Fechar as fronteiras, não os mercadinhos natalinos".