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Prefeitura de Caracas denúncia "golpe de Estado" após sua eliminação

20/12/2017 19h25

Caracas, 20 dez (EFE).- O titular provisório da Prefeitura Metropolitana de Caracas, o opositor Alí Mansour, garantiu nesta quarta-feira que a decisão da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) de eliminar esta instituição é um "golpe de Estado" e denunciou que os trabalhadores estão sendo agredidos por "grupos governistas".

"A decisão da ANC hoje de eliminar uma instância eleita pelo povo de Caracas, uma instância consagrada na Constituição (...) simples e ingenuamente constitui um golpe de Estado à Constituição, ao voto, ao direito dos caraquenhos de escolher", disse Mansour em entrevista coletiva.

Além disso, o opositor disse que, por causa da resolução do órgão plenipotenciário, estão "acontecendo incidentes violentos no Cabildo Metropolitano de Caracas".

"Já há grupos governistas agredindo o pessoal administrativo e diretores, impedindo que a folha de pagamento seja administrada para pagar a quinzena e a diferença de aumentos salariais", afirmou Mansour.

Nesse sentido, o político opositor fez um pedido à comunidade internacional para condenar o fato que, segundo ele, foi uma decisão motivada por razões políticas.

A ANC da Venezuela aprovou hoje por unanimidade suprimir a Prefeitura Metropolitana de Caracas e a do Alto Apure, entidade situada no oeste do país.

A Prefeitura Metropolitana de Caracas estava nas mãos da oposição desde 2008, quando o político Antonio Ledezma, que hoje vive no exílio após escapar de sua prisão domiciliar há algumas semanas, ganhou as eleições na época.

Com jurisdição sobre os cinco municípios que formam a Grande Caracas, a Prefeitura Metropolitana era considerada a instituição municipal mais poderosa do país.

A decisão da ANC de suprimir essas duas prefeituras causou reações distintas entre os opositores ao governo de Nicolás Maduro, como a dirigente María Corina Machado, que alegou através do Twitter que esta resolução "dissolve muito mais que as Prefeituras Metropolitanas de Caracas e Alto Apure: DISSOLVE A REPÚBLICA".

"Esta é a resposta para um 'diálogo' fraco e incoerente. Dessa maneira respondem os delinquentes", acrescentou María Corina em alusão às negociações entre governo e oposição na República Dominicana para buscar uma saída para a crise econômica e política em que o país sul-americano está afundado há meses.

Por sua vez, o chefe da oposição no parlamento venezuelano, Stalin González, expressou pela mesma rede social que a ação de hoje é um "grande golpe contra a descentralização e a autonomia municipal".

"As Prefeituras Metropolitanas estão concebidas na Constituição e sua criação e organização é atribuição apenas da Assembleia Nacional (parlamento), segundo o Art. 172", indicou González, que denunciou que o chavismo está "violando a Constituição e brincando com a vontade dos venezuelanos" por estas prefeituras estarem nas mãos da oposição.

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