Trump leva seus simpatizantes ao êxtase em evento político conservador

Javier Pachón Bocanegra.

National Harbor (EUA), 23 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou êxtase nesta sexta-feira entre o público da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), um evento que é conhecido como o "Super Bowl" dos conservadores americanos, que coroou o magnata como o líder que os guiará nas eleições legislativas deste ano.

O evento era uma das grandes oportunidades de Trump para discursar a seu eleitorado conservador sobre as eleições legislativas, e ele não desperdiçou esta chance, apelando à necessidade de mobilização entre os republicanos desde o início de seu pronunciamento.

"Para 2018, necessitamos que o seu entusiasmo se mantenha. Agora, vocês estão felizes e conformados, mas não se conformem; se entrarem (os democratas no Congresso), revogarão sua justiça, a Segunda Emenda (...), a reforma tributária", advertiu o magnata.

Nesse sentido, Trump reiterou, durante um discurso no qual saiu do roteiro por considerá-lo "chato", que os republicanos nunca darão marcha à ré e que seu partido "manterá todos" esses aspectos.

Precisamente, a defesa do direito de portar armas - presente na Segunda Emenda da Constituição - se transformou em um dos pilares do discurso, que aconteceu apenas alguns dias depois do ataque contra uma escola em Parkland, na Flórida, no qual 17 pessoas foram assassinadas.

Trump voltou a propor que "10% ou 20%" dos professores do país estejam armados para que possam "responder" a potenciais incidentes envolvendo atiradores nas escolas e se comprometeu a fazer "tudo o que for necessário" para conseguir que os centros de ensino sejam considerados seguros.

Segundo ele, se esta medida estivesse em vigor durante o massacre da Flórida, que foi cometido por um jovem de 19 anos, "um professor teria enchido ele de tiros antes que pudesse reagir", argumentou Trump.

"Há pessoas que são boa gente e se opõem a isso. Eles não gostam da ideia de que os professores" portem armas, afirmou o presidente republicano, que voltou a louvar os integrantes da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o maior grupo de defesa do porte de armas do país, que qualificou de "verdadeiros patriotas".

Outros temas do discurso foram a política migratória e os ataques aos democratas. O presidente acusou seus rivais políticos de terem "abandonado totalmente" a negociação para uma solução para as pessoas amparadas pelo DACA - um programa que protege da deportação os imigrantes irregulares que chegaram ao país quando crianças - e disse que considera "muito possível" que não seja possível chegar a um acordo por causa dos democratas.

O DACA foi aprovado durante o governo de Barack Obama em 2012 e cancelado em setembro por Trump, que manifestou no discurso que os congressistas republicanos querem encontrar uma solução e reivindicou aos que desejam o mesmo que votem em seu partido em novembro: "É melhor que elejam mais republicanos, ou nunca vai acontecer", advertiu.

Os bns resultados econômicos, a reforma tributária, as políticas migratórias e o reconhecimento da cidade de Jerusalém como capital de Israel em seu primeiro ano na Casa Branca acabaram por convencer parte dos indecisos entre os conservadores que comparecem à CPAC, os mesmos que há dois anos preferiram os senadores Ted Cruz e Marco Rubio como presidenciáveis republicanos.

Trump compareceu à conferência pelo segundo ano consecutivo após ter sido eleito presidente do país e depois de ter reconhecido na última edição que não esteve presente em 2016 porque pensava que seria "controverso demais".

Ao encontro comparecem grandes figuras do conservadorismo e da extrema-direita americana, nas esferas midiática e política, como o líder da NRA, Wayne LaPierre, e o próprio vice-presidente do país, Mike Pence.

A CPAC é considerada, desde a sua primeira edição em 1974, o grande evento anual do conservadorismo nos Estados Unidos.

Os participantes da direita populista também vieram de outros países, como são os casos de Nigel Farage, ex-líder do Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP, na sigla em inglês) até a confirmação do "Brexit", e Marion Le Pen, ex-deputada da Frente Nacional da França e uma das grandes estrelas jovens da política francesa.

O acontecimento, que alcançou seu clímax hoje com a participação do presidente, é visto como um momento-chave para o discurso e a mobilização do eleitorado republicano em relação ao pleito legislativo deste ano, para o qual a oposição democrata está "motivada", segundo alertou ontem o próprio vice-presidente.

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