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Oposição israelense pede renúncia de Netanyahu após suspeitas de corrupção

Richard Drew/ AP
Netanyahu se apressou hoje em negar seu envolvimento no caso Imagem: Richard Drew/ AP

Da Agência EFE, em Jerusalém

02/12/2018 12h36

Líderes da oposição de Israel pediram neste domingo a renúncia do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, depois que a polícia recomendou sua acusação em um caso de corrupção, e solicitaram que as eleições sejam antecipadas.

"Suborno! A polícia israelense recomenda apresentar uma acusação de suborno contra o primeiro-ministro. Netanyahu deve sair antes que destrua as agências que aplicam a lei para salvar sua própria pele. O povo judeu merece uma liderança limpa. Eleições agora!", exigiu no Twitter a deputada Tzipi Livni, dirigente de Campo Sionista, a principal força de oposição no Knesset, o parlamento israelense.

"Netanyahu se transformou em um peso para Israel. Deve renunciar. Um primeiro-ministro com tantos casos de corrupção em seu entorno não pode continuar no cargo e deve renunciar. Uma pessoa movida por uma obsessão mórbida em relação ao que é dito sobre ela nos veículos de imprensa não pode dirigir o Estado de Israel", criticou o secretário-geral do partido trabalhista, Avi Gabai, também no Twitter.

Por sua vez, a presidente do partido de esquerda Meretz, Tamar Zalber, afirmou que se trata da terceira "situação de suborno e a mais grave. O primeiro-ministro israelense, que está envolvido em um dos casos mais graves, não pode continuar nem mais um dia no cargo. Deve renunciar hoje, Israel tem que realizar eleições."

Já o líder da Lista Unida, o deputado árabe Ayman Odeh, afirmou que o lugar de Netanyahu "é na prisão e, claro, não na residência do primeiro-ministro". "Um primeiro-ministro que só está ocupado em divulgar o ódio e o medo, e os interesses próximos de sua família, já perdeu sua legitimidade. Deve ser expulso imediatamente."

A polícia recomendou hoje que o primeiro-ministro israelense seja acusado por "crimes de suborno, fraude e abuso de confiança" ao considerar que ele interveio "em decisões reguladoras para favorecer Shaul Elovitch", principal acionista do Grupo Bezeq, e da agência de notícias "Walla", que teria feito uma cobertura positiva de Netanyahu e de sua família em troca de favores.

As autoridades policiais também indicaram que existem provas para indiciar Sara Netanyahu por "suborno, fraude, abuso de confiança e a interrupção de procedimentos de investigação e judiciais".

Netanyahu, contra quem a polícia já apresentou recomendações em fevereiro por outros dois casos de corrupção, se apressou hoje em negar seu envolvimento e o de sua esposa em um breve comunicado.

Agora, está sendo especulada a possibilidade de esta situação derivar na convocação de eleições antecipadas, apenas algumas semanas depois que Netanyahu conseguiu evitá-la devido à crise gerada pela renúncia de Avigdor Lieberman como ministro da Defesa, que deixou o governo de coalizão com maioria simples no parlamento.