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Internacional

Moreno encurrala "correísmo" e consolida sua política aberturista no Equador

21/12/2018 23h18

Daniela Brik.

Quito, 21 dez (EFE).- Lutar contra a corrupção, relançar a economia e abrir o Equador ao mundo foram neste 2018 os principais objetivos do presidente Lenín Moreno, que tentou desmontar a engrenagem de poder de seu antecessor, Rafael Correa, hoje foragido da justiça.

O ano começou com a última visita ao país do ex-presidente para fazer campanha contra a consulta popular impulsionada por Moreno, realizada no dia 4 de fevereiro e que recebeu um apoio majoritário.

O plebiscito, que incluiu perguntas relacionadas à luta contra a corrupção e a reeleição indefinida, o meio ambiente e a imprescritibilidade dos crimes sexuais contra menores, serviu como respaldo ao governante.

"Foi importante porque fortaleceu Moreno no governo, já que atacava a figura do ex-presidente Correa", explicou à Agência Efe Santiago Basabe, professor de Política Comparada na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), sobre o fato de a reeleição indefinida ter sido abolida no Equador.

Desde então, o presidente trabalhou para desarmar a estrutura correísta e tirar seus líderes das instituições de governo, adotando uma série de medidas radicalmente distantes da maneira de fazer política do seu antecessor.

Contudo, nos últimos meses Moreno baixou o tom crítico a respeito de Correa em coincidência com o processo de indagação penal contra o ex-presidente e sua recente convocação a julgamento pelo caso do sequestro de um político opositor equatoriano na Colômbia em 2012, que o mantém foragido da justiça na Bélgica.

Outro dos eventos que marcaram o primeiro semestre de 2018 foi a insegurança na região fronteiriça com a Colômbia por causa de atentados e atos de sabotagem realizados pelo narcoterrorismo personificado em uma dissidência das Farc.

Foi atribuída ao grupo armado a morte de quatro soldados equatorianos e cinco civis, entre estes três membros de uma equipe jornalística sequestrada quando realizava uma cobertura na fronteira.

Seu assassinato em cativeiro, assim como o de um casal equatoriano, comoveu o país e evidenciou o que durante anos já era sabido: a falta de presença do Estado na região fronteiriça, pouca ou nula preparação em matéria de segurança para combater estes grupos, e a conivência das autoridades.

Foi uma das primeiras crises do governo de Moreno pela denúncia de familiares e da sociedade civil sobre o mal uso e falta de informações sobre os sequestros, que acabaram antecipando as renúncias e cessações dos ministros da Defesa e do Interior.

"O tema da insegurança serviu para mudar o rumo da política de segurança e defesa", analisou Basabe, que também lembrou o abandono do cargo em junho da chanceler María Fernanda Espinosa, hoje presidente da Assembleia Geral da ONU, e identificada com a velha-guarda correísta.

Moreno nomeou como novo ministro das Relações Exteriores José Valencia, o que levou a um distanciamento do eixo bolivariano em paralelo às críticas sobre a situação humanitária na Venezuela, fruto de um "socialismo corrupto, assassino e mentiroso do século XXI", nas palavras do governo equatoriano.

A migração em massa motivou Quito a liderar dois encontros regionais sobre um fenômeno que levou 220 mil venezuelanos a se radicarem no Equador, segundo a ONU.

Outra mudança dentro do governo aconteceu na pasta de Finanças, para a qual Moreno nomeou um antigo membro da patronal, Richard Martínez, terceiro ministro do ramo em um ano, com o objetivo de buscar novas alianças nos campos político e econômico.

"O que mais se destaca no presidente é a mudança e ruptura com o modelo anterior", diz o doutor em Ciências Econômicas e reitor da Universidade Ecotec de Guaiaquil, Fidel Márquez.

E após um primeiro ano "abrindo" os números da dívida e de tímidas propostas para recuperar a combalida economia equatoriana, Moreno adotou um plano de reajuste orçamentário, acompanhado por fusões ministeriais, o fim de subsídios - como à gasolina - e a austeridade como política de Estado.

Márquez acredita que o crescimento econômico não passará dos 1,5%, com níveis inflacionários muito baixos, um subemprego de 50% e um risco-país que em novembro superou os 700 pontos, mas destaca as tentativas de atrair investimento e impulsionar o comércio exterior.

Todos estas mudanças e altos e baixos fazem com que no plano político a figura de Morena acuse o desgaste natural do segundo ano de mandato, após ter deixado para trás a euforia eleitoral e, de quebra, seu antecessor e velho correligionário Rafael Correa. EFE

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