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Menina guatemalteca que morreu sob custódia do governo dos EUA é enterrada

25/12/2018 21h36

San Antonio Secortéz (Guatemala), 25 dez (EFE).- Dezenas de pessoas se despediram nesta terça-feira de Jakelin Caal Maquín, a menina guatemalteca de 7 anos que morreu sob a custódia do governo dos Estados Unidos após entrar ilegalmente com o pai no país.

Jakelin foi enterrada em uma simples cerimônia realizada no cemitério em San Antonio Secortéz, no norte da Guatemala.

Antes do enterro, o corpo da menina percorreu a pequena comunidade em uma espécie de caravana, passando pela casa de seu avô, Domingo Caal, de sua mãe, Claudia Maquín, e da igreja local, para que todos pudessem se despedir de Jakelin, que acompanhou o pai na odisseia de tentar cruzar a fronteira do México com os EUA.

Para a viagem, a família hipotecou o terreno onde está a casa da mãe de Jakelin para pagar os coiotes que os levaram até os EUA. No entanto, os dois foram capturados por agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA no dia 6 de dezembro, junto com 163 pessoas. Pai e filha foram separados, e a menina acabou morrendo 48 horas mais tarde por desidratação, segundo informações oficiais.

O corpo de Jakelin foi trazido de volta à Guatemala pelo Ministério de Relações Exteriores. O pai da menina segue nos EUA, aguardando autorização para trabalhar no país e poder enviar dinheiro para a família, que vive em situação de extrema pobreza.

Enquanto amigos, vizinhos e familiares de Jakelin oravam por ela na cerimônia que precedeu o enterro, o pai da menina, Nery Caal, acompanhava tudo, aos prantos, por meio de uma ligação por vídeo.

Claudia, que tem três outros filhos além de Jakelín, se despediu da filha em casa, quando a caravana que levava o caixão até o cemitério passou pelo local. O avô da menina também preferiu não acompanhar de perto o enterro da neta, uma tragédia que abalou a remota comunidade de San Antonio Secortéz e todo o país.

O enterro de Jakelin coincidiu com a morte de uma criança guatemalteca sob a custódia do Escritório de Alfândegas e Proteção de Fronteiras dos EUA. Desta vez, a vítima foi um menino, de 8 anos, que faleceu em um hospital do estado americano do Novo México depois de passar mal no centro de detenção onde era mantido.

O Ministério de Relações Exteriores da Guatemala pediu ao governo dos EUA uma investigação profunda sobre os dois casos. EFE

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