PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Ex-presidente da Starbucks planeja campanha presidencial e irrita democratas

Howard Schultz, CEO da Starbucks - CARLO ALLEGRI/ Reuters
Howard Schultz, CEO da Starbucks Imagem: CARLO ALLEGRI/ Reuters

28/01/2019 02h04

Howard Schultz, ex-presidente-executivo da Starbucks, anunciou neste domingo (27) que está pensando "seriamente" em concorrer às eleições presidenciais de 2020 nos EUA como candidato independente, uma possibilidade que incomoda os democratas porque acreditam que ajudaria o líder Donald Trump a ser reeleito.

"Estou pensando seriamente a me apresentar como candidato para Presidência. Concorrerei como independente centrista, por fora do sistema de dois partidos", disse Schultz em entrevista à emissora "CBS".

Schultz, que até agora tinha se descrito como democrata, justificou sua decisão de optar por uma terceira via porque, segundo disse, o país vive "tempos frágeis".

"Não só está o fato de que este presidente (Trump) não está qualificado para ser presidente, mas o fato de que os dois partidos nunca fazem o que é necessário para o povo americano e estão enredados, a cada dia, em políticas baseadas na vingança", afirmou Schultz.

O multimilionário de 65 anos, que deixou o gigante do café no ano passado depois de uma década à frente, disse ao jornal "The New York Times" que já tinha começado os trâmites requeridos para estar nas cédulas em 2020 e que planejava percorrer o país durante os próximos três meses antes de fazer um anúncio formal.

Vários estrategistas democratas criticaram Schultz e pediram que não concorra como independente, dado que consideram que isso dividiria o voto dos progressistas entre o candidato democrata e ele, e ajudaria Trump a conseguir a reeleição.

Perguntado a respeito, Schultz disse que não planeja se juntar aos democratas e que realmente acha que pode conquistar a Presidência.

"Estou preparado para que os cínicos e críticos disserem. Não estou de acordo com eles", ressaltou.

Schultz acrescentou que decidiu não concorrer como democrata porque nesse caso teria que "dizer coisas com as quais" não concorda, "porque o partido girou demais para a esquerda".

"Quando ouço as pessoas falarem de universidade de graça, paga pelo Governo, saúde de graça paga pelo Governo e um trabalho de graça no Governo para todo o mundo, somado a uma dívida de US$ 21 trilhões, a questão é como pagamos por tudo isso sem levar o país à falência?", perguntou Schultz.

"É uma promessa tão falsa como a do muro" que Trump quer construir na fronteira com o México, acrescentou o ex-executivo.

Schultz, que transformou a Starbucks em uma marca global durante seu primeiro período à frente da firma (1986-2000), que começou quando a companhia controlava sete cafeterias em Seattle (EUA), poderia ter para alguns americanos um atrativo similar ao de Trump, outro magnata multimilionário sem experiência política.

As críticas dos progressistas à possível candidatura de Schultz se baseiam em parte nos antecedente do multimilionário Ross Perot, que se apresentou como independente às eleições de 1992, teve quase 19% dos votos e alguns acham que ajudou o candidato democrata, Bill Clinton, chegar ao poder. 

Internacional