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Juncker ressalta a Londres que acordo do Brexit não será renegociado

30/01/2019 15h15

Bruxelas, 30 jan (EFE).- O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ressaltou nesta quarta-feira que o acordo sobre a retirada do Reino Unido da União Europeia (UE) não será renegociado, depois que o parlamento britânico pediu à primeira-ministra Theresa May que renegocie a salvaguarda irlandesa.

"O acordo de retirada continua sendo o melhor e único acordo possível. A União Europeia disse isso em novembro, dissemos em dezembro, dissemos após a primeira votação significativa na Câmara dos Comuns em janeiro", declarou o responsável pelo Executivo comunitário no plenário da Eurocâmara.

"O debate e as votações na Câmara dos Comuns ontem não mudam isso. O acordo de retirada não será renegociado", acrescentou.

Segundo Juncker, tanto Londres como Bruxelas ressaltaram que não desejam a volta de uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, e não querem retornar a "tempos mais obscuros" do passado.

Nesse sentido, insistiu que é necessária uma "rede de segurança" para evitar esse "risco", em referência à salvaguarda irlandesa.

"Não temos incentivos, nem desejos de usar a rede de segurança, mas, ao mesmo tempo, nenhuma rede de segurança pode ser realmente segura se pode ser simplesmente retirada a qualquer momento", explicou, para em seguida destacar que a fronteira irlandesa é também a da UE, assim como "a prioridade" do clube comunitário.

Após o debate desta terça-feira no parlamento de Westminster, segundo disse, ficou claro que os parlamentares britânicos estão "contra muitas coisas", como um Brexit sem acordo ou a salvaguarda irlandesa, mas os 27 países da UE ainda não sabem "exatamente a favor de que está a Câmara dos Comuns".

Além disso, salientou que a votação de ontem em Londres "aumentou o risco de uma retirada desordenada do Reino Unido".

"Devemos continuar fazendo tudo para preparar-nos para todos os cenários, incluído o pior", afirmou, embora tenha manifestado sua crença que um acordo com o Reino Unido será possível, de maneira que se possa avançar para a futura associação com o país quando já não seja Estado-membro da UE.

O negociador-chefe da UE para o Brexit, Michel Barnier, também rejeitou uma renegociação do acordo de retirada pactuado com Londres e criticou Theresa May depois que ontem "pela primeira vez tenha advogado abertamente por reabrir o acordo de retirada".

"Inclusive antes da votação, ao discursar no final da tarde, tomou distância a respeito do acordo que ela mesma tinha negociado e sobre o qual tínhamos nos posto de acordo", lamentou Barnier, em referência à emenda apoiada por May que exige a substituição da salvaguarda irlandesa por "regras alternativas".

No entanto, apontou que essas regras alternativas "não foram definidas em nenhum momento".

"Ao mesmo tempo, a Câmara dos Comuns rejeitou o cenário de uma retirada sem acordo sem dar nenhuma precisão sobre o modo de evitá-lo", comentou.

Sobre a salvaguarda irlandesa, detalhou que não é "dogmatismo, mas uma solução realista" que se buscou durante a negociação "para os problemas criados, em particular, mas não somente, na Irlanda pelo Brexit.

A Câmara dos Comuns aprovou, por 317 votos a favor e 301 contra, uma emenda não vinculativa que pede ao governo para renegociar com Bruxelas uma solução alternativa para a fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda, um dos principais obstáculos que bloqueiam o processo de ratificação em Londres. EFE

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