PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Ex-premiê ucraniana abre processo de impugnação contra presidente Poroshenko

26/02/2019 10h48

(Acrescenta reação de Poroshenko e seu partido).

Kiev, 26 fev (EFE).- A ex-primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko, anunciou nesta terça-feira a abertura de um processo de impugnação contra o presidente, Petro Poroshenko, por um grave caso de fraude no exército.

"Consideramos que o que ele fez e o que a imprensa revelou se insere no artigo 112 do Código Penal. É alta traição. Por isso, anunciamos junto a outras partes o início de um processo de impugnação contra o presidente", disse Timoshenko ao discursar no parlamento.

Timoshenko, que fez este anúncio em plena campanha presidencial, lembrou que, segundo a imprensa, funcionários próximos a Poroshenko venderam ao exército ucraniano equipamentos militares trazidos da Rússia, "o Estado agressor", a preços superfaturados.

Na opinião da ex-premiê, além do contrabando em si, tais transações "minaram a capacidade de defesa da Ucrânia".

"O mais importante é que, à frente dessa pirâmide, estava o presidente da Ucrânia", disse Timoshenko.

A investigação jornalística estima em US$ 9 milhões o dinheiro desviado, a fraude protagonizada supostamente, entre outros, pelo filho do subsecretário do Conselho Nacional de Segurança Nacional e Defesa, Oleg Gladkovski.

Poroshenko, por sua vez, exigiu que as autoridades competentes investiguem de forma "urgente" a informação jornalística e apoiou a inabilitação temporária de Gladovski, afirmou hoje o porta-voz do chefe de Estado, Sviatoslav Tsegolko, em seu perfil no Facebook.

Já o líder do partido do presidente ucraniano, Artur Gerasimov, argumentou que era necessário entregar o material jornalístico ao Escritório Estatal de Investigação, ao Escritório Nacional Anticorrupção e ao escritório do Ministério Público Militar.

Na Ucrânia não existe procedimento legal pelo qual o chefe de Estado possa ser impugnado, algo que outros políticos já tentaram no passado contra Poroshenko, embora a Constituição teoricamente contemple essa possibilidade.

Timoshenko expressou recentemente sua intenção de propor a adoção no parlamento de uma lei que regulamente a impugnação presidencial.

O Comitê Anticorrupção da Ucrânia afirmou que, segundo as leis ucranianas, o presidente do país estava fora de sua jurisdição quando Poroshenko foi acusado em 2016 de criar três sociedades obscuras em paraísos fiscais.

Timoshenko endureceu nas últimas semanas sua retórica contra Poroshenko, coincidindo com sua queda nas pesquisas de opinião, que a colocam agora em terceiro lugar nas preferências dos ucranianos para as eleições presidenciais em 31 de março.

Na semana passada, Timoshenko acusou Poroshenko de iniciar um plano para a compra de 6 milhões de votos e a manipulação do censo eleitoral.

Neste momento, o comediante Vladimir Zelenski lidera as pesquisas à frente de Poroshenko, que chegou ao poder pela revolução da Praça Maidan em 2014. EFE

Internacional