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Internacional

Kim Jong-un e Donald Trump: dos insultos aos elogios mútuos em dois anos

26/02/2019 15h35

Andrés Sánchez Braun.

Seul, 26 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, se encontrarão pela segunda vez, agora em Hanói, no Vietnã, para debater a desnuclearização do país asiático e tentar reforçar uma relação que em dois anos passou da troca de insultos e ameaças a elogios mútuos e cartas pessoais.

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- 2017:.

20 de janeiro: Donald Trump chega à Casa Branca. Os insistentes testes de mísseis norte-coreanos de curto e médio alcances dão lugar a uma escalada de ameaças entre Washington e Pyongyang.

4 de julho: A Coreia do Norte lança com sucesso seu primeiro míssil balístico intercontinental, o Hwasong-14, e realiza outro teste bem-sucedido no dia 28 do mesmo mês.

8 de agosto: Trump ameaça responder a Coreia do Norte com "fogo e fúria". Dois dias depois, a Coreia do Norte sugere que tem um plano para bombardear os arredores de Guam, ilha onde estão instaladas importantes bases militares americanas.

3 de setembro: A Coreia do Norte realiza seu sexto - e até o momento mais poderoso - teste nuclear e assegura que a bomba H que detonou pode ser acoplada a um míssil.

17 de setembro: Trump chama Kim de "homem-foguete" no Twitter em resposta aos novos lançamentos de mísseis.

19 de setembro: Trump ameaça "destruir totalmente a Coreia do Norte" no seu discurso diante da Assembleia Geral da ONU.

21 de setembro: Em uma nota da agência de notícias estatal "KCNA", Kim chama Trump de "velho lunático".

12 de novembro: Trump escreve no Twitter: "Por que Kim Jong-un me insulta me chamando de 'velho' quando eu nunca o chamaria de 'gordo e baixinho'? Estou realmente tentando me tornar seu amigo. E pode ser que algum dia aconteça!".

28 de novembro: O regime dispara o que até o momento é seu míssil balístico intercontinental mais sofisticado, o Hwasong 15, e alega que já é um país capaz de atacar os EUA com uma bomba atômica.

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- 2018:.

8 de março: Depois que as duas Coreias encenam uma aproximação nos Jogos Olímpicos de Inverno e convocam uma cúpula, Kim convida Trump a se reunir com ele em carta entregue em Washington por um enviado de Seul. No mesmo dia, Trump aceita realizar a reunião.

21 de abril: A Coreia do Norte anuncia que suspendeu seus testes nucleares e de mísseis e que fechará seu centro de testes atômicos.

27 de abril: Kim e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, realizam a primeira cúpula intercoreana em 11 anos e decidem trabalhar para conseguir a paz e a desnuclearização da península.

10 de maio: Trump revela que a cúpula com Kim será realizada no dia 12 de junho em Singapura.

24 de maio: Após duras críticas de Pyongyang contra figuras do governo Trump que citam o modelo líbio para sua desnuclearização, o presidente dos EUA cancela abruptamente a cúpula com Kim, mas no dia seguinte Washington e o regime baixam o tom e mostram disposição de reabrir o diálogo.

26 de maio: Os líderes das duas Coreias realizam em segredo e de surpresa sua segunda reunião em apenas um mês para melhorar os laços e tentar salvar a cúpula de Singapura.

30 de maio: O chefe da inteligência norte-coreana, Kim Yong-chol, viaja para os EUA, onde é recebido na Casa Branca por Trump, que confirma que a cúpula segue confirmada para 12 de junho.

12 de junho: Trump e Kim protagonizam a primeira cúpula entre EUA e Coreia do Norte da história. Nela, decidem melhorar laços e "trabalhar para a desnuclearização da península coreana", ao mesmo tempo que Washington se compromete a oferecer "garantias de segurança" para a sobrevivência do regime. Trump agradece a Kim no Twitter por sua participação na cúpula e se gaba dizendo que ambos têm "uma grande relação".

22 de junho: Os EUA adiam "indefinidamente" os exercícios militares com a Coreia do Sul para favorecer o diálogo.

5-7 de julho: O secretário de Estado, Mike Pompeo, visita Pyongyang para tentar fixar um roteiro para a desnuclearização norte-coreana. Após sua partida, a chancelaria norte-coreana classifica como "lamentável" a atitude dos EUA durante as conversas.

12 de julho: Trump publica nas redes sociais uma carta de Kim Jong-un e afirma se tratar de um "grande avanço" no diálogo.

24 de julho: Imagens por satélite mostram que a Coreia do Norte começou a desmantelar uma das suas bases de teste de mísseis.

10 de setembro: A Casa Branca afirma que o líder norte-coreano solicitou através de uma carta a realização de uma nova cúpula com o presidente Trump e que já começaram a coordenar-se para isso.

18 a 20 de setembro: Moon e Kim realizam uma cúpula em Pyongyang, na qual o líder norte-coreano insiste no seu compromisso com a desnuclearização e assegura que poderia desmantelar "permanentemente" o centro onde fabrica seu combustível atômico se os EUA realizarem "medidas correspondentes".

7 de outubro: Pompeo se reúne em Pyongyang com Kim e diz que alcançaram avanços em matéria de desarmamento e que ambos falaram de realizar "o mais rápido possível" uma segunda cúpula.

7 de novembro: Uma visita de Pompeo à Coreia do Norte é cancelada de forma abrupta, como prova do rancor que existe no diálogo sobre desnuclearização diante da falta de um roteiro.

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2019:.

2 de janeiro: Trump diz ter recebido uma carta de Kim Jong-un e insiste que ambos estabeleceram "uma grande relação".

8 de janeiro: Kim realiza uma visita oficial à China na qual se reúne com o presidente Xi Jinping, a quem assegura que segue comprometido com a desnuclearização.

17 de janeiro: Kim Yong-chol viaja para os EUA para fechar a convocação da cúpula.

5 de fevereiro: No seu discurso sobre o Estado da União, Trump anuncia que haverá uma segunda cúpula com Kim e que acontecerá no Vietnã nos dias 27 e 28 de fevereiro.

6 de fevereiro: O enviado especial dos EUA para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, viaja a Pyongyang para fechar detalhes da cúpula.

9 de fevereiro: Trump anuncia pelo Twitter que a cúpula será em Hanói e assegura que "a Coreia do Norte, sob o mandato de Kim Jong-un, se transformará em uma grande potência econômica. Pode ser que surpreenda a alguns, mas não a mim, porque cheguei a conhecê-lo e sei perfeitamente o quanto é competente".

18 de fevereiro: A propaganda norte-coreana guarda silêncio sobre a cúpula, mas assegura que o país encara "um momento decisivo" quanto a seu desenvolvimento econômico. EFE

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