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Casa Branca restringe acesso de jornalistas ao jantar entre Trump e Kim

27.fev.2019 - O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano Kim Jong-un sentam-se para um jantar durante a segunda cúpula EUA-Coréia do Norte em Hanói, Vietnã - Leah Millis/Reuters
27.fev.2019 - O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano Kim Jong-un sentam-se para um jantar durante a segunda cúpula EUA-Coréia do Norte em Hanói, Vietnã Imagem: Leah Millis/Reuters

27/02/2019 11h17

A Casa Branca restringiu hoje o acesso de vários jornalistas ao início do jantar entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, no primeiro dia da cúpula entre ambos realizada em Hanói.

Um grupo de 13 correspondentes que cobrem a Casa Branca tinha autorização para seguir Trump durante todo o dia e entrar a todos seus atos com cobertura midiática, mas pelo menos três deles ficaram fora do último ato, o início do jantar entre Trump e Kim na primeira jornada da cúpula.

"(A porta-voz da Casa Branca) Sarah Sanders nos informou há pouco que não iria deixar entrar (no jantar) nenhum jornalista de um meio impresso devido a temas sensíveis relacionados com as perguntas que foram feitas nos anteriores atos" da cúpula, explicou Vivian Salama, jornalista do "The Wall Street Journal".

"Mas quando nossos colegas fotógrafos começaram a protestar junto a nós, decidiram permitir que entrasse um de nós", acrescentou em um e-mail enviado ao resto dos correspondentes diante da Casa Branca.

Salama era uma dos 13 repórteres credenciados hoje pelo lado americano e a encarregada de escrever os relatórios conhecidos como "pool reports", dos quais dependem milhares de jornalistas para receber informação sobre os atos de Trump com cobertura restrita.

Embora ela tenha conseguindo entrar no jantar e enviar o relatório, os jornalistas das agências AP, Reuters e Bloomberg ficaram fora do ato.

Jonathan Lemire, jornalista da AP, tinha perguntado a Trump no começo da reunião a sós com Kim se tinha alguma reação ao testemunho que será feito diante do Senado dos EUA por seu ex-advogado, Michael Cohen, algo que o líder americano tinha negado com a cabeça.

Por sua vez, o correspondente da Reuters, Jeff Mason, tinha perguntado no mesmo ato se Trump tinha dado marcha à ré na promessa de desnuclearizar a península norte-coreana. O presidente dos EUA também respondeu que não.

A porta-voz da Casa Branca quis justificar a medida em comunicado, no qual assegurou que tinha limitado "o acesso ao jantar a um grupo menor devido à natureza delicada das reuniões" entre Trump e Kim.

"Mas asseguramos que na sala havia representantes dos fotógrafos, veículos de imprensa de televisão, rádio e imprensa escrita. Seguimos negociando alguns aspectos desta cúpula histórica e sempre trabalharemos para assegurar que os veículos de imprensa dos EUA tenham todo o acesso possível", indicou Sanders.

Vários correspondentes diante da Casa Branca condenaram a medida nas redes sociais e atribuíram a mesma ao suposto incômodo de Trump por conta do comparecimento de seu ex-advogado no Senado.

"A Casa Branca está insinuando que isto ocorreu por conta das queixas da Coreia do Norte, mas foi o presidente Trump que recebeu perguntas que incomodaram", escreveu no Twitter uma jornalista da emissora "CNN", Abby Phillip.

"Incrível que a Casa Branca esteja tentando imitar um ambiente de imprensa autocrático, no qual só permitem fotos, e não perguntas, ao presidente dos Estados Unidos", acrescentou.

Outros lembraram que o incidente aconteceu um dia depois que a Casa Branca transferiu no último momento sua sala de imprensa para a cúpula porque estava no mesmo hotel onde Kim se hospeda.

No começo do jantar com Kim, Trump pareceu celebrar a redução no contingente de imprensa.

"Nada como ter um agradável jantar privado", ressaltou.

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