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Ex-presidente egípcio Mohammed Mursi é sepultado após morrer no tribunal

2019-06-18T08:39:00

18/06/2019 08h39

(Atualiza com declarações de advogado de Mursi presente no enterro).

Cairo, 18 jun (EFE).- O ex-presidente do Egito, Mohammed Mursi, foi enterrado nesta terça-feira no Cairo, acompanhado unicamente de sua família, uma vez que as autoridades egípcias se recusaram a sepultá-lo no cemitério da família, na província de Sharqia, um dia depois de morrer durante seu julgamento, de acordo com informações de seus filhos.

"Lavamos o corpo dele no hospital da prisão de Tora, rezamos dentro da mesquita da prisão", escreveu em sua conta do Facebook, Ahmed Mursi, um dos filhos do deposto presidente da Irmandade Muçulmana

"A família se dirigiu para o cemitério por volta de 4h15 (horário local, 23h15 de segunda-feira em Brasília), onde o funeral durou quase 45 minutos", relatou à Agência Efe um dos advogados de Mursi, Abdelmoneim Abdelmaqsud, que esteve presente na cerimônia.

O advogado disse que dez pessoas foram autorizadas pelas forças de segurança a comparecer ao rito funerário, entre eles Osama, um dos filhos de Mursi, e outros membros da família.

Tanto Ahmed como seu irmão Abdullah expressaram que o último adeus ao seu pai foi realizado na capital egípcia porque "as autoridades de segurança se recusaram a enterrá-lo no cemitério da família em Sharqia".

Nesse sentido, o advogado Abdelmaqsud afirmou que "as forças de segurança lhes informaram que havia dificuldades para enterrá-lo em Sharqia e pediram à família que escolhesse outro lugar".

Por isso, decidiram enterrá-lo no "cemitério dos líderes espirituais" da Irmandade Muçulmana "na região de Al Wafaa ou Al Amal", em Nasr City, no leste do Cairo, onde o último líder da confraria que foi enterrado ali foi Mohammed Mahdi Akef, em 2017, detalhou.

O primeiro presidente do Egito democraticamente eleito nas urnas em 2012 morreu ontem, após seis anos de detenção quase em isolamento e sem acesso a tratamento médico adequado, punido após sua derrocada no golpe de Estado militar de julho de 2013.

O ex-governante de 67 anos de idade morreu em um tribunal do Cairo, onde estava participando de uma audiência do julgamento contra ele por acusações de espionagem.

A procuradoria anunciou ontem que uma investigação forense foi estabelecida para determinar as causas da morte e pouco depois disse que tinham outorgado a permissão para o enterro, que segundo o islã deve acontecer no menor tempo possível depois da morte.

O advogado indicou que a família desconhece os motivos da sua morte e que não tinha informação sobre o estado de saúde de Mursi, pois a última visita de sua equipe de defesa à prisão aconteceu há um ano e meio.

No entanto, assegurou que Mursi "não recebeu atendimento médico" durante os seis anos que esteve na prisão egípcia e que padecia de "várias doenças".

Por enquanto, sabe-se, segundo o procurador-geral, que Mursi desmaiou dentro da cela e foi levado diretamente para o hospital, onde já chegou morto.

O governo egípcio ainda não se pronunciou sobre a morte inesperada de Mursi, que ocorreu enquanto o presidente Abdul Fatah al Sisi está em viagem oficial à Bielorrússia. EFE

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