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Hiroshima pede a jovens para não esquecer bombardeio nuclear

05/08/2019 23h25

Tóquio, 6 ago (EFE).- A cidade de Hiroshima, no Japão, pediu nesta terça-feira (data local) aos jovens para não esquecer nem menosprezar a tragédia atômica e fez um apelo aos líderes mundiais, especialmente do país, para que assinem o Tratado para a Proibição de Armas Nucleares.

"Para enfrentar nossas circunstâncias atuais e conseguir um mundo pacífico e sustentável, devemos transcender as diferenças de status ou opinião (...) Para consegui-lo, as gerações vindouras não devem desprezar os bombardeios atômicos e a guerra como meros fatos do passado", disse o prefeito da cidade, Kazumi Matsui, no seu discurso na cerimônia de comemoração do 74º aniversário do bombardeio.

Em um ato realizado no Parque da Paz (situado perto do marco zero da explosão), do qual participaram representantes de cerca de 90 países, Matsui leu poemas e textos escritos por sobreviventes, nos quais falam dos horrores do bombardeio e pedem que algo assim não aconteça com as futuras gerações.

O prefeito da cidade japonesa pediu à sociedade para adotar um "espírito de tolerância" para lutar juntos contra as adversidades atuais: a ascensão do nacionalismo, o aumento das tensões por causa do monopólio e da rivalidade, e o processo de desarmamento nuclear estancado.

"Havendo vivido duas guerras mundiais, nossos idosos perseguiram um ideal: um mundo além da guerra. Prometeram a si mesmos construir um sistema de cooperação internacional. Não deveríamos lembrar e, para a sobrevivência humana, lutar por esse mundo ideal? Peço a vocês isto, especialmente a vocês, os jovens, que nunca conheceram a guerra, mas que liderarão o futuro", afirmou o prefeito.

Para Matsui, "os líderes mundiais devem avançar com eles, promovendo o ideal da sociedade civil", e fez um apelo para se unirem ao Tratado para a Proibição de Armas Nucleares, do qual não fazem parte nem as potências nucleares mundiais nem o Japão.

O prefeito de Hiroshima instou a seu governo, o único que sofreu ataque com uma bomba nuclear, que assine e ratifique o pacto e, com isso, mostre "liderança para dar o passo seguinte para um mundo livre de armas nucleares".

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, também disse algumas palavras na cerimônia na qual se referiu à meta de se conseguir um mundo sem estas armas, mas evitou qualquer referência ao tratado.

A bomba lançada sobre Hiroshima há 74 anos detonou com uma intensidade de cerca de 16 quilotons a cerca de 600 metros de altura muito perto de onde se ergue o parque onde aconteceu a cerimônia, e acabou de forma imediata com a vida de cerca de 80 mil pessoas.

O número aumentaria até o final de 1945, quando o balanço de mortos chegava a 140 mil, e nos anos posteriores as vítimas da radiação somaram mais do que o dobro.

Três dias depois do ataque sobre Hiroshima, em 9 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma segunda bomba nuclear sobre a cidade de Nagasaki, o que forçou a rendição de Japão seis dias depois e pôs fim à Segunda Guerra Mundial. EFE

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