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Linhas de metrô de Paris são fechadas em ato contra reforma da Previdência

23.dez.2019 - Plataforma da estação Gare de l"Est durante protesto contra reforma da Previdência em Paris, na França - Gonzalo Fuentes/Reuters
23.dez.2019 - Plataforma da estação Gare de l'Est durante protesto contra reforma da Previdência em Paris, na França Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

23/12/2019 16h31Atualizada em 24/12/2019 13h43

Paris, 23 dez (EFE) - Pequenos grupos de grevistas paralisaram temporariamente nesta segunda-feira o funcionamento de algumas estações de metrô de Paris para protestar contra a reforma da Previdência proposta pelo presidente da França, Emmanuel Macron.

Os manifestantes interromperam durante 20 minutos a circulação da linha 1 na estação Gare de Lyon. Por ser automatizada, esta é uma das duas únicas linhas - a outra é a 14 - que seguem funcionando normalmente desde o início da greve convocada pelos sindicatos de transporte há 19 dias.

Com os trens parados pelo bloqueio, vários passageiros desceram dos vagões e se arriscaram andando pelos trilhos para chegar até a estação Gare de Lyon, apesar dos alertas de segurança feitos pela companhia responsável pelo sistema.

A ministra de Transportes da França, Elisabeth Borne, condenou a ação dos manifestantes no Twitter. "O livre exercício do direito de greve não dá direito a invadir, bloquear e a intimidar os passageiros", escreveu.

O secretário-geral da Força Operária, Yves Veyrier, tentou se esquivar dos protestos de hoje. Em entrevista à emissora "BFMTV", o ativista disse que os sindicatos responsáveis pela greve já mostraram a capacidade de organizar manifestações pacíficas: "Às vezes não somos ouvidos", afirmou Veyrier.

O sindicalista também disse desconfiar do calendário de negociações que o governo promete anunciar em janeiro. Segundo ele, o texto da reforma proposta por Macron deve ser aprovado no Conselho de Ministros antes do encontro marcado com os líderes na manifestação.

O governo anunciou que receberá os sindicalistas no próximo dia 7 para negociar alguns pontos da reforma. Apesar do sinal enviado aos manifestantes por Macron, uma nova grande manifestação está marcada para ocorrer dois dias depois da reunião.

Os sindicatos prometem manter a greve até o encontro. Amanhã, apenas 40% dos trens de alta velocidade devem circular. Nos arredores de Paris, o número de viagens realizadas pelo sistema ferroviário será reduzido a 20%.

No metrô, só as duas linhas automáticas funcionarão normalmente. Em outras oito, a companhia responsável pela operação do sistema colocará menos trens para circular, com foco em horários de pico.

Thierry Defresne, representante da Confederação Geral do Trabalho (CGT) na petrolífera Total, afirmou que as paralisações também vão atingir as refinarias do país. A meta é cortar a produção em 20%, o que deve provocar desabastecimento nos postos de combustível do país.

Para a ministra dos Transportes, porém, a ameaça não gera preocupação. Segundo Borne, só dois dos 200 depósitos de combustível da França estão com dificuldades de abastecer seus clientes.

Os setores mais afetados pela greve são o turístico e o cultural. A Ópera de Paris, onde as manifestações têm sido acompanhadas com atenção pelas particularidades do sistema previdenciário dos funcionários do local, informou que já perdeu 8 milhões de euros (R$ 36,1 milhões) desde o início do movimento. No total, 45 espetáculos já foram cancelados.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou o segundo parágrafo, a Linha 14 do Metrô de Paris é automatizada, e não a 16. A informação foi corrigida.

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