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Talibãs esperam formar governo antes do fim da retirada de tropas

Combatentes do Talibã no palácio presidencial de Cabul - Divulgação/ Vídeo
Combatentes do Talibã no palácio presidencial de Cabul Imagem: Divulgação/ Vídeo

EFE

26/08/2021 00h28

Os talibãs esperam formar um governo "inclusivo" no Afeganistão antes do fim da retirada das tropas estrangeiras do país, previsto para 31 de agosto, um passo essencial para a consolidação do novo regime, que voltou ao poder após quase 20 anos de guerra.

"Esperamos formar um governo inclusivo antes do prazo de retirada das forças americanas do Afeganistão", disse em declarações à Agência Efe o principal porta-voz talibã, Zabihulla Mujahid, em Cabul.

Os líderes talibãs, que tomaram a capital em 15 de agosto, após consecutivas vitórias em quase todas as províncias do país, trabalham desde então na formação do governo, que, segundo eles, representará todo o país.

Um grupo de líderes políticos afegãos faz parte dessas conversas, mas ainda se desconhece se algum nome de governos anteriores, que lutaram contra os insurgentes, terá lugar no poder. A ausência de mulheres nas reuniões nos últimos dez dias também lançou dúvidas sobre se elas terão um lugar na nova liderança.

ANISTIA.

Mujahid reiterou o decreto de uma "anistia geral para todos", uma garantia feita pelos talibãs para assegurar que todos, incluindo os soldados e oficiais que os combateram, serão desculpados pelos seus papéis na administração anterior.

"Quem quiser voltar ao país pode fazê-lo", disse o porta-voz.

Milhares de afegãos, muitos deles ativistas, jornalistas, militares e políticos tentam deixar o país por medo de punição por parte dos rebeldes, que são lembrados pela dureza do seu antigo regime.

"Desde o início, o Emirado Islâmico - como os talibãs se denominam - não manteve prisioneiros nem ninguém das forças de segurança afegãs sob a nossa custódia", comentou.

Durante a ofensiva de dez dias em que os combatentes do movimento rebelde conquistaram 33 das 34 províncias do Afeganistão, reivindicando a vitória no Afeganistão, dezenas de postos e escritórios militares se renderam aos insurgentes.

No entanto, após a fuga do presidente afegão deposto, Ashraf Ghani, e a queda de Cabul, pouco se sabe sobre muitos dos ex-soldados, e alguns deles relataram perseguições dos talibãs ou assassinatos de alguns companheiros.

RELAÇÕES INTERNACIONAIS.

O Afeganistão, devastado por décadas de guerra e conflito, com milhões de deslocados e uma situação humanitária precária, está fortemente dependente da ajuda internacional.

Agora, com os talibãs no poder, o reconhecimento do seu governo e o financiamento contínuo serão fundamentais para o país.

"Esperamos ter relações melhores com a comunidade internacional e esperamos que reconheçam o nosso governo", disse Mujahid.

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