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Liberdade de imprensa na América sofreu 'claro retrocesso', diz membro da SIP

Cuba, Nicarágua e Venezuela, em termos gerais, são os países com piores condições para o exercício do jornalismo - iStock
Cuba, Nicarágua e Venezuela, em termos gerais, são os países com piores condições para o exercício do jornalismo Imagem: iStock

19/10/2021 16h18

Miami (EUA.), 19 out (EFE).- A liberdade de imprensa no continente americano sofreu "claro retrocesso" no último ano, segundo afirmou Carlos Jornet, presidente da comissão sobre o tema da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que inicia nesta terça-feira sua 77ª Assembleia Geral.

O representante do órgão ainda afirmou que Cuba, Nicarágua e Venezuela, em termos gerais, são os países com piores condições para o exercício do jornalismo, no entanto, o México é o mais perigoso, diante dos riscos à integridade física dos profissionais da área.

Desde a Assembleia Geral realizada em outubro de 2020, foram assassinados 17 profissionais de imprensa no continente, sendo que nove das mortes ocorreram nos últimos seis meses.

De abril até hoje, um destes crimes aconteceu no Brasil, enquanto seis foram no México, um na Colômbia e outro no Haiti, conforme relatou Jornet, em entrevista exclusiva à Agência Efe.

CRIME ORGANIZADO É ALGOZ.

"O crime organizado é o principal responsável, em segundo lugar, grupos vinculados à diferentes poderes", garante o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP, ao ser questionado sobre os autores dos assassinatos de profissionais.

"O que mais preocupa é a impunidade", completa Jornet.

Segundo o representante da organização, na maioria dos casos, a polícia não consegue identificar autores ou a justiça não consegue condenar os eventuais acusados.

No entanto, Jornet admite que a violência física não é o único problema que os profissionais de imprensa enfrentam no continente americano.

Relatórios sobre a situação de cada país, elaborados pelos respectivos vice-diretores de Liberdade de Imprensa e Informação, mostram um quadro de hostilidades e estigmatização dos veículos, censura, fechamentos e leis que afetam o trabalho dos jornalistas.

Nos debates da Assembleia Geral, são considerados dois pontos altos da repressão à imprensa o fechamento dos jornais "El Nacional", de Caracas, na Venezuela, e "La Prensa", de Managua, na Nicarágua.

O presidente Jair Bolsonaro, assim como Andrés Manuel López Obrador, chefe de governo do México, e setores do novo Executivo do Peru são citados como responsáveis pela estigmatização do jornalismo, colocando a imprensa como inimiga do povo.

"Esse discurso fomenta a violência", garantiu Jornet.

FALTA DE TRANSPARÊNCIA

Outro ponto preocupante para o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da SIP são as restrições ao acesso à informação pública, "justamente quando mais se cobrava transparência", devido a pandemia da covid-19.

Jornet explica que a situação preocupa tanto pela necessidade do público de contar com informação abundante para se proterger, como pelas licitações públicas feitas pelos governos em situações de emergência, que estão sujeitas a menos controle.

Segundo o representante da SIP, a prática acontece em países como Canadá e Estados Unidos, assim como na América Latina quase totalmente.

Nos relatórios dos países em que ocorreram protestos sociais, como Estados Unidos e Colômbia, há denúncias de que a polícia atuou com uso de força contra os jornalistas, sem levar em conta que estavam realizando o trabalho deles.

EIXO DAS DITADURAS.

Nesta quarta-feira, está programado o painel "Liberdade de Imprensa e o eixo das ditaduras: Cuba, Nicarágua e Venezuela", seguido de outro sobre "Liberdade de Imprensa e falta de independência judicial", referente aos casos de El Salvador e Argentina, entre outros países.

"A ditadura perde a batalha na internet e luta para não perder também nas ruas. Este foi o semestre mais difícil para os cubanos nos últimos 25 anos", indica o relatório sobre a ilha caribenha, palco de grandes protestos populares em julho deste ano.

O documento sobre a Venezuela aponta para o agravamento da falta de liberdade de expressão, enquanto o da Nicarágua mostra que o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo manteve constantes ataques contra os jornalistas e os meios de comunicação.

Durante a Assembleia Geral da SIP serão apresentados os resultados do Índice de Chapultepec, que mede a situação da liberdade de imprensa em cada país do continente nos últimos 12 meses.

Jornet adiantou à Efe que Cuba, Nicarágua e Venezuela estão no fim da lista e mostrou preocupação com a Argentina, que, segundo ele, perdeu muitos postos. Já a República Dominicana teve melhora, após mudança de governo e subiu na tabela, que tem Chile e Costa Rica em posições mais altas.

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