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EUA confirmam saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU

Complexo de detenção de imigrantes é alvo de críticas inclusive da ex-primeira dama Laura Bush - Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA
Complexo de detenção de imigrantes é alvo de críticas inclusive da ex-primeira dama Laura Bush Imagem: Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA

19/06/2018 18h22

Depois de ter se retirado do acordo climático de Paris em 2017 e do acordo nuclear com o Irã em maio, o governo Trump confirmou que retira os Estados Unidos do Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta terça-feira (19). "Nenhum outro país teve coragem de se juntar à nossa luta para reformar o órgão hipócrita", disse a embaixadora norte-americana na Organização das Nações Unidas, Nikki  Haley.

"Ao fazê-lo, quero deixar bem claro que este passo não é um recuo em relação aos nossos compromissos com os direitos humanos", afirmou Haley.

A decisão foi tomada enquanto os EUA enfrentam fortes críticas por deterem crianças separadas de seus pais imigrantes na fronteira EUA-México. Na segunda-feira (19), Zeid Ra'ad al-Hussein, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, pediu que Washington suspendesse sua política "impiedosa".

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Os EUA estavam na metade de um mandato de três anos no principal organismo de direitos humanos da entidade e há tempos vinham ameaçando se desfiliar se não houvesse reforma, acusando o conselho de 47 membros sediado em Genebra de ser anti-Israel.

"Olhe para os integrantes do conselho e você irá ver um desrespeito pelos direitos mais básicos", disse a embaixadora, citando Venezuela, China, Cuba e República Democrática do Congo. Haley acrescentou que o "foco desproporcionais e a hostilidade em relação à Israel provam que o conselho é motivado por viés político, e não pelos direitos humanos."

Na semana passada a Reuters noticiou que ativistas e diplomatas disseram que as conversas com os EUA sobre uma reforma do órgão não atenderam às exigências de Washington, dando a entender que o governo Trump abandonaria o fórum.

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Um ano atrás Haley disse que Washington estava analisando sua filiação ao conselho e pediu uma reforma e a eliminação de um "viés anti-Israel crônico". O conselho criado em 2006 tem como item permanente de sua agenda as supostas violações cometidas por Israel nos territórios palestinos ocupados, item que Washington quer ver removido.

A administração Trump tomou uma série de medidas pró-Israel, aliado histórico dos Estados Unidos. Entre elas, promoveu a mudança da embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, um ato simbólico de reconhecimento da cidade sagrada como capital de Israel.

A mudança provocou uma série de manifestações em Gaza e em outros pontos dos Territórios Palestinos Ocupados, que foram violentamente reprimidas pelo governo israelense - mais de cem palestinos morreram e milhares ficaram feridos. A repressão foi condenada pelo conselho. 

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