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PF prende presidente da CNI em investigação sobre contratos com Turismo

Eduardo Simões e Ricardo Brito

Em São Paulo

19/02/2019 08h48Atualizada em 19/02/2019 10h38

A Polícia Federal prendeu hoje temporariamente o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, no âmbito da operação Fantoche, que apura irregularidades em contratos firmados com o Ministério do Turismo e com o Sistema S que somam R$ 400 milhões. A informação da prisão foi passada por uma fonte com conhecimento do assunto.

A PF confirmou que 10 pessoas foram presas na operação, mas não deu detalhes sobre as identidades dos detidos. Em nota, a CNI disse que Andrade está na sede da PF em Brasília para prestar "esclarecimentos".

"A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem conhecimento de que o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, está na Polícia Federal, em Brasília, prestando esclarecimentos sobre a operação deflagrada na manhã desta terça-feira", disse a entidade em nota. 

"A CNI não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido. Como sempre fez, a entidade está à disposição para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades", explicou o órgão. 

De acordo com a PF, um grupo de empresas do mesmo núcleo familiar atuou desde 2002 executando contratos firmados por meio de convênios com a pasta e com o Sistema S.

"A atuação do grupo consistia na utilização de entidades de direito privado, sem fins lucrativos, para justificar celebração de contratos e convênios diretos com o ministério e unidades do Sistema S. Tais contratos, em sua maioria, voltados à execução de eventos culturais e de publicidade superfaturados e/ou com inexecução parcial, sendo os recursos posteriormente desviados em favor do núcleo empresarial por intermédio de empresas de fachada", disse a PF. 

"Estima-se que o grupo já tenha recebido mais de R$ 400 milhões decorrentes desses contratos", acrescentou a PF sobre a operação, realizada em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU).

A corporação disse que 213 agentes foram mobilizados, assim como 8 auditores do TCU, para o cumprimento de 40 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão temporária em Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Paraíba, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Alagoas.