Europeus rejeitam "ultimatos" do Irã após recuo em promessas feitas sob acordo nuclear
Países europeus disseram hoje que querem preservar o acordo nuclear com o Irã, mas rejeitam "ultimatos" de Teerã, depois que a República Islâmica reduziu o alcance das limitações impostas ao programa nuclear do país e ameaçou adotar ações que podem violar o pacto internacional.
O Irã anunciou ontem medidas que diminuem as restrições ao seu programa nuclear em reação a novas sanções dos Estados Unidos, impostas depois que Washington abandonou o acordo um ano atrás.
Especialistas dizem que as novas medidas anunciadas por Teerã até agora provavelmente não violarão os termos do acordo de imediato.
Mas o presidente Hassan Rouhani disse que, a menos que potências mundiais encontrem uma forma de proteger os setores petroleiro e bancário do Irã das sanções dos EUA dentro de 60 dias, o país começará a enriquecer urânio acima dos níveis permitidos pelo pacto.
"Rejeitamos quaisquer ultimatos e avaliaremos o cumprimento do Irã com base no desempenho do Irã em relação aos compromissos de natureza nuclear do JCPOA e do NPT", disse um comunicado emitido conjuntamente pela União Europeia e pelos ministros das Relações Exteriores de França, Reino Unido e Alemanha.
A sigla JCPOA se refere ao acordo nuclear de 2015, e a sigla NPT a um tratado de não proliferação que proíbe países de desenvolver armas nucleares.
As potências europeias também disseram lamentar a reativação das sanções dos EUA e acrescentaram que continuam comprometidas a preservar e implantar totalmente o acordo nuclear com o Irã.
"Estamos determinados a continuar nos empenhando para permitir a continuação do comércio legítimo com o Irã", disseram os Estados europeus, acrescentando que isso inclui obter um mecanismo especial concebido para possibilitar negociações com o regime.
O acordo nuclear de 2015, assinado por Irã, EUA, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha, exige que Teerã limite seu programa nuclear em troca da eliminação de sanções internacionais.
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, abandonou o pacto um ano atrás e reativou sanções, que intensificou neste mês, ordenando efetivamente que todos os países parem de comprar petróleo iraniano para eles mesmos não enfrentarem sanções.
Os aliados europeus de Washington se opuseram à decisão norte-americana de romper com o pacto nuclear, que dizem beneficiar os radicais do Irã e minar os pragmáticos da liderança do regime que querem abrir o país ao mundo.
Eles tentaram desenvolver um sistema que permita que investidores estrangeiros façam negócios no Irã evitando as sanções dos EUA, mas na prática o modelo ainda não funcionou, já que todas as grandes empresas europeias que haviam anunciado planos de investir no Irã dizem que não o farão mais.
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