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Bolsonaro irá cumprimentar Biden na hora certa, diz Mourão

Vice-presidente Hamilton Mourão em Brasília - Por Lisandra Paraguassu
Vice-presidente Hamilton Mourão em Brasília Imagem: Por Lisandra Paraguassu

09/11/2020 10h19

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira que o presidente Jair Bolsonaro irá cumprimentar o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, "na hora certa", e que deve esperar o final de processo de contestação do resultado eleitoral pelo atual presidente, Donald Trump.

"Eu julgo que o presidente está aguardando terminar esse imbróglio aí de discussão se tem voto falso, se não tem voto falso, para dar o posicionamento dele. Eu acho que... é óbvio que o presidente na hora certa vai transmitir os cumprimentos do Brasil a quem for eleito", disse Mourão ao ser questionado sobre a demora de Bolsonaro em se pronunciar sobre a eleição presidencial norte-americana.

Até este momento mais de 100 chefes de Estado e de governo já cumprimentaram Biden pela eleição. Na lista estão a maioria dos presidentes da América do Sul --inclusive Nicolás Maduro, principal desafeto dos EUA na região-- e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um dos principais aliados de Trump.

No Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), publicou mensagem no Twitter no sábado na qual parabenizou Biden pela vitória.

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, do México, Andrés Manuel López Obrador, e da China, Xi Jinping, três países com relações intensas com os EUA, também não cumprimentaram o presidente eleito norte-americano. Nos três casos, no entanto, os governos reconheceram o processo eleitoral e informaram que aguardarão o final de todos os procedimentos.

No Brasil, no entanto, nenhum sinal foi dado nem pelo Itamaraty e nem pelo Palácio do Planalto. Desde que Biden foi anunciado como eleito, no final da manhã de sábado (no horário de Washington), Bolsonaro fez uma live e conversou com apoiadores, mas não mencionou a eleição norte-americana.

As informações que vêm do Palácio do Planalto apontam que o presidente pretende esperar um anúncio oficial ou um discurso de Trump admitindo a derrota. O presidente norte-americano não deu sinais de que pretende fazê-lo tão cedo. E não existe nos EUA um órgão central de apuração que consolide votos. O anúncio oficial é feito depois da apuração dos votos do Colégio Eleitoral, o que acontece apenas no início de janeiro.

Mourão foi questionado sobre se essa demora não coloca o Brasil em uma posição difícil frente a uma nova administração dos EUA com quem o presidente já começa com problemas. Desde o início do processo Bolsonaro deixou clara sua torcida por Trump, em um movimento pouco usual nas relações internacionais. O vice-presidente descartou riscos.

"Não julgo que corra risco. Acho que vamos aguardar, né? É uma questão prudente. Acho que essa semana define as questões que estão pendentes e aí a coisa volta ao normal e a gente se prepara para o novo relacionamento que tem que ser estabelecido", disse.

Mais tarde, em uma live organizada pelo banco Itaú, Mourão repetiu que o governo brasileiro vai se manifestar no momento em que o processo eleitoral norte-americano estiver concluído, inclusive com a recontagem de votos prevista em alguns casos.

O vice-presidente ressaltou, no entanto, que o processo mostrou "a vitalidade da democracia americana" e que a relação de Brasil e Estados Unidos é de "Estado para Estado" e assentada em uma visão "de longo prazo".

"Nós temos uma relação que vem da época da nossa independência, de modo que a gente não fica especulando muito sobre o que será esse impacto das eleições. As nossas relações são densas, complexas, os interesses transcendem o mero processo eleitoral", disse.

Questionado sobre as falas de Joe Biden, que colocam a questão ambiental como um dos centros do seu programa de governo, Mourão disse que os recursos que o presidente eleito disse que levantaria para ajudar a Amazônia seriam bem-vindos.

"Nós vimos durante a campanha o Joe Biden dizendo que buscaria liderar uma coalização em defesa da Amazônia e que colocaria 'x' bilhões de dólares. Bem, eu acho que se pagarem os serviços ambientais já ficamos satisfeitos com isso, já teremos recursos suficientes para avançar em todas as nossas agendas da Amazônia", afirmou.

No entanto, Mourão deu a entender que Biden teria outros problemas para lidar primeiro, como a relação com a China e com os europeus e a divisão interna nos EUA.

"Não podemos deixar de olhar que os EUA estão divididos. Existe uma divisão e o presidente Biden terá que mostrar que será capaz de ir além da mera retórica de que está lá para unir os americanos e trabalhar em prol dessa união", afirmou.