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Em Paris, Dilma denuncia misoginia de ataques a Brigitte Macron e pede desculpas

14/09/2019 19h37

A ex-presidente Dilma Rousseff participou neste sábado (14) da Festa da Humanidade, evento organizado pelo jornal de esquerda "L'Humanité" em La Courneuve, na região metropolitana de Paris. Em seu debate, o mais aguardado da noite, Dilma criticou os recentes ataques à primeira-dama francesa, Brigitte Macron, e à ex-presidente do Chile Michelle Bachelet.

Ao falar das "agressões" feitas por membros do governo de Jair Bolsonaro, e pelo próprio presidente brasileiro, contra Brigitte Macron e Michelle Bachelet, Dilma Rousseff ressaltou o caráter misógino das declarações. "Peço desculpas e manifesto a solidariedade das mulheres do Brasil", disse a ex-chefe de Estado.

Ainda sobre Bolsonaro, Dilma destacou que o dirigente trata a questão da ditadura militar brasileira, das torturas e prisões políticas ocorridas nesse período, de forma "ameaçadora". Segundo ela, o governo atual coloca a Constituição em risco com frases como "Para fechar o STF, basta um cabo e um soldado", dita pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

A ex-presidente também ressaltou uma homofobia "fundamental como forma de encarar o mundo" do atual governo brasileiro. "A diversidade, seja ela de qualquer espécie, que é base do direito de opinião, é desconhecida para ele [Bolsonaro]".

A questão da Amazônia também foi abordada no debate com o público francês. "Ele [Bolsonaro] tem uma postura muito clara em relação aos direitos sociais e ambientais. Diz ter pena dos empresários porque são explorados pelo Estado e defende a redução dos direitos trabalhistas ainda maiores do que a precarização que já foi feita. Ao mesmo tempo, considera um absurdo a proteção ao meio ambiente, à floresta amazônica e aos povos indígenas", declarou Dilma.

Participação celebrada

A presença de Dilma foi celebrada por militantes de esquerda que participaram da Festa da Humanidade em 2019. Para Solange, do Comitê Lula Livre de Paris, "Dilma é uma convidada de honra, pois representa um governo democrático, que foi eleito. Ela traz um debate para a política atual do Brasil, que é o da soberania, da Constituição, da união da esquerda e a questão da liberdade de Lula e da democracia no Brasil."

Já Igor Filippe Santos, representante do Movimento dos Sem Terra e do Comitê Lula Livre, afirma que o processo de "retrocesso" do Brasil começou com o "golpe contra Dilma". "Conversando com as pessoas comuns, com as lideranças dos partidos políticos, dos sindicatos, dos movimentos populares, observamos que aqui na França Lula é uma referência muito importante. O interesse da França no Lula faz avançar a campanha do Lula Livre. Porque a França tem um papel irradiador na Europa e no mundo", afirma.

O francês Denis Renard, que colaborou no estande "Lula Libre" da Festa da Humanidade, disse que o apoio dado ao ex-presidente petista faz parte do "lado internacionalista" da esquerda de seu país. "A forma como ele foi afastado é uma vergonha absoluta. É a utilização de todas as ferramentas para corromper a Justiça para chegar ao governo atual que já conhecemos. Dilma representa a voz do Brasil. De alguém que foi eleito e fez um trabalho formidável. É uma alegria extrema tê-la aqui", disse.

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