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Sem mobilização global, Acordo de Paris para o clima não será suficiente, alerta Kerry

John Kerry, ex- secretário de Estados dos EUA e indicado por Biden para enviado especial do Meio Ambiente - Susana Vera/Reuters
John Kerry, ex- secretário de Estados dos EUA e indicado por Biden para enviado especial do Meio Ambiente Imagem: Susana Vera/Reuters

Vivian Oswald

27/01/2021 17h11

Uma semana depois de voltar para o acordo do Clima, o governo americano cobrou mais ousadia dos outros países do mundo para que o objetivo de conter o aumento da temperatura do planeta seja atingido. Enviado especial do Meio Ambiente do governo Joe Biden, o ex-secretário de Estado norte-americano John Kerry afirmou durante o Fórum Econômico Mundial de Davos que os compromissos firmados seis anos atrás estão longe de ser suficientes.

Um dos palestrantes mais festejados do terceiro dia da Agenda Davos 2021— a versão online do encontro que reúne a elite econômica mundial todos os anos nos Alpes suíços—, Kerry criticou os negacionistas e afirmou que a causa não é para ser conduzida por apenas um líder, mas para uma liderança multilateral, porque exige esforços trilionários que devem envolver governos e o setor privado.

"É um mercado sem limites!", afirmou. "(O acordo de) Paris sozinho não é suficiente", ressaltou Kerry durante o painel "Ação mobilizadora pelo combate à mudança do clima".

O governo democrata, segundo ele, está colocando a agenda do clima no centro do seu planejamento de política externa e de segurança nacional. Ele anunciou que o presidente Biden vai realizar um encontro de líderes no dia 22 de abril para tratar do tema.

"Ele sabe que não temos um único minuto a perder. Ações domésticas não serão suficientes sem uma estratégia internacional para galvanizar a ambição mundial. É necessário escala global", afirmou.

Kerry reconheceu a seriedade de vários governos e empresas que atuam mundo afora para conter as emissões de carbono, mas ressaltou que elas continuam crescendo a olhos vistos. "O mundo precisa levar isso a sério e fazer o que precisa ser feito", destacou.

Cortar emissões poluentes pela metade até 2030

Segundo o enviado americano, é preciso cortar emissões pela metade até 2030 para se alcançar o que está previsto no acordo de Paris, o que significa reduzir as plantas de carvão cinco vezes mais depressa, aumentar a cobertura vegetal cinco vezes mais depressa e investir em energias renováveis seis mais depressa do que se previa.

"Não é só porque entendemos a questão emergencial e moral, mas sabemos que não podemos perder mais (dinheiro). Ação é o único imperativo moral, econômico e científico que se deve contemplar", disse Kerry.

Ele admitiu que o acordo de Paris, assinado em 2015, foi o melhor entendimento a que se conseguiu chegar à época. Kerry, afirmou, contudo, que "não havia naquele momento o mesmo nível de transparência e escrutínio de hoje".

EUA não sabem como China pretende cumprir seu objetivos

O representante de Washington cobrou transparência dos países sobre os caminhos que pretendem adotar para atingir seus objetivos. E mencionou a China em especial, que se comprometeu a tornar a sua economia neutra em emissões de carbono até 2060.

"Mas não temos ideia de como vão fazer. Espero que possamos trabalhar com a China e entender como vão fazer", disse, lembrando que os chineses atualmente financiam 70% das novas termelétricas mundo afora, a partir do Programa "Um cinturão, uma rota". "Fracassar não é uma opção", martelou.

O democrata acrescentou que apenas três tempestades registradas nos Estados Unidos dois anos atrás custaram ao país US$ 265 bilhões. Uma única tempestade no ano passado causou um prejuízo de US$ 55 bilhões.

Ele pediu ambição na próxima cúpula da COP26, que acontece na cidade escocesa de Glasgow, em novembro deste ano. "Todos têm que agir juntos. Ou vamos todos fracassar juntos", disse.

No mesmo painel, o presidente da COP26, Alok Sharma, afirmou que os investimentos necessários pela frente não poder ser apenas públicos, mas precisam envolver recursos privados.

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