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1 mês

Avanço de variante descoberta na Índia altera planos de reabertura na Europa

Fases finais da Eurocopa estão ameaçadas de não ocorrerem em Wembley por causa do avanço da variante delta no Reino Unido - Marc Atkins/Getty Images
Fases finais da Eurocopa estão ameaçadas de não ocorrerem em Wembley por causa do avanço da variante delta no Reino Unido Imagem: Marc Atkins/Getty Images

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18/06/2021 13h20Atualizada em 18/06/2021 13h43

A propagação da variante delta no continente europeu, descoberta pela primeira vez na Índia, faz governos de vários países restabelecerem medidas de restrição de circulação de cidadãos.

A Rússia enfrenta uma situação crítica com o avanço desta nova cepa, mais contagiosa do que a variante alpha, originária do Reino Unido.

A Itália anunciou hoje que os passageiros provenientes do Reino Unido terão que passar por um teste anti-covid e observar uma quarentena de cinco dias na chegada ao país, explicou o ministro da Saúde italiano, Roberto Speranza, no Facebook.

Ele também estendeu a proibição de entrada em território nacional para viajantes da Índia, Bangladesh e Sri Lanka.

Neste verão, a Itália espera uma afluência de visitantes 20% superior à do ano passado, para relançar seu setor de turismo, que representa quase 14% do PIB e foi muito afetado pela pandemia de covid-19.

No entanto, o aumento de casos da variante delta em países vizinhos começa a preocupar seriamente as autoridades italianas.

O Reino Unido cancelou hoje o tradicional carnaval de Notting Hill, que estava programado para o fim de agosto. As autoridades preferiram adotar cautela ante o avanço da variante delta, entre 40% e 80% mais contagiosa do que a alpha, detectada em solo britânico e dominante até agora.

Ontem, Reino Unido ultrapassou a marca simbólica de 10 mil novos casos da infecção viral em 24 horas, com 11 mil diagnósticos positivos, o que não acontecia desde fevereiro.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou hoje que sua prioridade é a "saúde pública", mais do que manter as semifinais e a final da Eurocopa em Wembley. A Uefa (União das Federações Europeias de Futebol) está considerando transferir esses jogos para Budapeste.

Restrições entram em vigor em Lisboa

Portugal também enfrenta um aumento de casos da doença, o que levou o governo a proibir entradas e saídas de pessoas da área metropolitana de Lisboa neste fim de semana. A proibição entrou em vigor hoje, às 15h no horário de Lisboa (11h em Brasília).

A capital portuguesa já ultrapassou os 240 casos de covid-19 por 100 mil habitantes. Os casos não pararam de crescer no país desde a final da Liga dos Campeões, entre o Chelsea e o Manchester City. O jogo, no início de junho, levou milhares de torcedores britânicos a Porto para assistir a disputa.

"Aparentemente, [existe] uma prevalência maior da variante delta em Lisboa e também na região do Alentejo", afirmou a ministra Mariana Vieira da Silva ontem.

As autoridades aguardam o sequenciamento genético de testes positivos para o vírus para ter um balanço mais preciso sobre a incidência da variante delta nas novas contaminações.

Alerta vermelho na Rússia

Mas é na Rússia que a situação parece crítica. Quase 90% dos casos diagnosticados na capital russa são da variante delta, o que obrigou as autoridades municipais a adotarem medidas restritivas para os eventos públicos - entre elas, o fechamento de uma área para torcedores da Eurocopa.

Em Moscou, foram registrados 9 mil novos casos de covid-19 em 24 horas, um recorde desde o início da epidemia e o triplo do nível registrado há menos de duas semanas.

"Segundo os últimos dados que recebemos, 89,3% dos pacientes estão infectados por um coronavírus que sofreu mutação, denominado delta, a variante indiana. É mais agressivo, se propaga mais rápido", afirmou o prefeito moscovita, Serguei Sobianin.

Com 17,2 mil contágios diários em todo país, a Rússia está no ponto mais elevado de casos desde 1º de fevereiro, de acordo com estatísticas do governo publicadas hoje.

O país registrou 453 novas mortes, o maior número desde 18 de março. Moscou teve 78 óbitos pela Covid-19, ainda de acordo com informações divulgadas pelo governo russo.

O aumento de infecções é atribuído a uma campanha de vacinação muito lenta, devido à desconfiança dos russos em relação à vacina desenvolvida no país, assim como à ausência de restrições há vários meses, ao surgimento de variantes mais contagiosas e ao descumprimento das regras de distanciamento social e do uso de máscara.

Em Moscou, apenas 1,8 milhão de pessoas receberam ao menos uma dose de imunizante, de uma população de entre 12 e 13 milhões de habitantes.

Ontem, a Rússia se tornou o país com mais mortes decorrentes da covid-19 da Europa, com 128,4 mil, segundo o governo.

Espanha anuncia abandono de máscaras ao ar livre

Esta alta de casos da variante delta acontece simultaneamente a um relaxamento de medidas restritivas em alguns países do continente.

Depois da França, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez, anunciou hoje que os espanhóis poderão deixar de usar máscara ao ar livre a partir de 26 de junho.

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, pediu vigilância aos cidadãos do país pelo temor de que a variante delta acabe se tornando a de maior prevalência na Alemanha. "A questão não é 'se', mas 'quando' a variante delta será a dominante", disse Jens Spahn hoje.

Diante desta cepa mais contagiosa, cujo avanço no mundo é preocupante, as vacinas são menos eficazes, mas a proteção contra a doença continua sendo importante, desde que as duas doses sejam aplicadas.

* Com informações da AFP

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