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Canadá vai às urnas para escolher entre Trudeau e candidato conservador

Trudeau corre risco de perder eleição que ele mesmo convocou - Cole Burston/Getty Images
Trudeau corre risco de perder eleição que ele mesmo convocou Imagem: Cole Burston/Getty Images

20/09/2021 13h00Atualizada em 20/09/2021 13h34

Os canadenses votam hoje em eleições gerais antecipadas que foram convocadas em agosto pelo primeiro-ministro liberal Justin Trudeau, com o objetivo de recuperar a maioria que ele tinha perdido há dois anos. No entanto, Trudeau está perdendo sua aposta.

As pesquisas apontam um empate entre o chefe de governo canadense, de 49 anos, e o novo líder dos conservadores, Erin O'Toole, 48 anos, até há pouco tempo um desconhecido na política nacional.

Um terceiro mandato para Trudeau ou uma mudança com o conservador moderado Erin O'Toole? O resultado da votação no Canadá se tornou imprevisível, de acordo com os analistas.

A campanha intensa de 36 dias terminou no domingo como havia começado: com um discurso de Trudeau no qual o primeiro-ministro pediu aos canadenses um novo mandato para dirigir o país e administrar a saída da pandemia.

Mas o desgaste do poder é sentido, e a "Trudeaumania" de 2015 parece distante.

A popularidade do premiê nascido em Ottawa permanece estagnada em 31% das intenções de voto, em empate técnico com O'Toole, um ex-militar e advogado que há alguns meses era desconhecido da opinião pública.

Jean-Michel Lacroix, professor emérito em civilização norte-americana na Sorbonne, observa que Trudeau começou a campanha com 6 a 7 pontos de vantagem sobre o rival, mas a vantagem derreteu.

De acordo com Lacroix, entrevistado pela RFI, os canadenses não estavam com a cabeça voltada para eleições, no fim de agosto.

"Eles estavam mais preocupados com a pandemia, os incêndios florestais na Colúmbia Britânica, a retirada das tropas ocidentais do Afeganistão e o contexto internacional", afirma.

Porém, o conservador O'Toole acabou crescendo nos debates, "defendendo posições conservadoras sobre temas como armas de fogo, questões ambientais e até sobre o princípio da vacinação", que atraíram eleitores para seu programa, ressalta Lacroix.

"As suspeitas de corrupção contra Trudeau também arranharam sua credibilidade", destaca o professor da Sorbonne

Os primeiros locais de votação abriram as portas em Terranova e Labrador, na costa do Atlântico, às 8h30 locais (8h de Brasília).

Como o país tem seis fusos horários, os últimos eleitores a votar estão na província de Colúmbia Britânica, na costa do Pacífico, onde as urnas fecharão às 19h locais (23h de Brasília).

Mas os canadenses podem não conhecer o nome do vencedor de maneira imediata porque a apuração deve ser muito apertada e muitos eleitores optaram por votar de maneira antecipada ou por correio.

Votação gera pouco interesse

Como em 2019, a disputa acirrada faz com que analistas afirmem que a maioria parece muito complicada de alcançar para qualquer candidato.

Os quase 27 milhões de canadenses com mais de 18 anos que podem votar hoje definirão os 338 membros da Câmara dos Comuns.

Se nenhum dos dois principais partidos que se alternam no poder desde 1867 conquistar a maioria no Parlamento, o vencedor terá de formar um governo minoritário.

Nesse caso, o futuro primeiro-ministro, liberal ou conservador, terá que trabalhar com os partidos menores para governar o país. Um deles é o Novo Partido Democrático (NDP, esquerda), de Jagmeet Singh, que tem quase 20% das intenções de voto nas pesquisa.

Outro é o Bloc Québécois, partido independentista de Quebec liderado por Yves-François Blanchet.

O último partido importante na disputa, os Verdes de Annamie Paul, se esforçou para divulgar uma mensagem de emergência climática, ao mesmo tempo que luta por sua própria sobrevivência devido a problemas de unidade, imagem e finanças.

Resta saber se os eleitores comparecerão às urnas em grande número para esta eleição que gera pouco interesse e acontece no momento em que os casos de covid-19 estão aumentando em algumas províncias canadenses.

Lacroix acredita que Trudeau tem uma pequena chance de salvar seu mandato. Mas, se perder e os canadenses optarem por uma alternância de poder, o historiador francês não tem a menor dúvida: a carreira política de Trudeau será página virada.

"Não podemos esquecer que o Canadá é um país de tradição anglo-saxônica. Quando se perde uma eleição, os políticos se retiram da vida política", afirma.

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