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"Igreja deve respeitar a lei", diz premiê francês ao papa sobre denúncias de abuso sexual

18.out.2021 - O Papa Francisco e o primeiro-ministro francês Jean Castex - Vatican Media/AFP
18.out.2021 - O Papa Francisco e o primeiro-ministro francês Jean Castex Imagem: Vatican Media/AFP

18/10/2021 12h05

O papa Francisco recebeu o primeiro-ministro francês, Jean Castex, durante uma audiência privada de meia hora no Vaticano, hoje. No encontro, eles conversaram sobre o polêmico relatório sobre os abusos sexuais de menores cometidos durante décadas na Igreja católica na França.

"É óbvio que conversamos sobre a situação da Igreja na França e sobre o relatório. O discurso do papa consiste em dizer que a Igreja na França foi corajosa por ter feito seu trabalho. Ele acredita que será possível tirar conclusões do caso. Está satisfeito, porque não houve negação", disse Castex à imprensa, no final da audiência.

No último dia 5 de outubro, foi publicado um relatório independente que concluiu que mais de 216 mil menores foram vítimas de abuso sexual na França, cometidos por padres, desde 1950. A divulgação do documento suscitou uma enorme polêmica no país.

Dias depois, outro assunto aumentou a tensão entre a Igreja Católica e o governo francês: a ferrenha defesa do sigilo de confissão por parte dos religiosos, depois que as autoridades convocaram, na semana passada, o presidente da Conferência Episcopal para pedir explicações sobre o caso.

"Isso não é novidade: a Igreja não vai recuar no dogma do sigilo da confissão. Mas devemos, a todo o custo, encontrar formas e meios de conciliar isso com o direito penal e com os direitos das vítimas", afirmou Castex. O premiê foi taxativo ao apontar que, apesar da separação do Estado, a Igreja tem a obrigação de respeitar as leis. "A separação entre a Igreja e o Estado nada tem a ver com a separação entre a Igreja e a lei", reiterou.

Troca de presentes

A visita do primeiro-ministro francês não foi particularmente motivada pela divulgação do relatório sobre a pedofilia: o encontro estava previsto há muito tempo. O principal objetivo era marcar o centenário da retomada das relações diplomáticas entre a França e a Santa Sé.

Castex conversou sozinho e a portas fechadas com o sumo pontífice, em seu escritório particular, no segundo andar do palácio apostólico. No final do encontro, houve a tradicional troca de presentes.

Ao papa, o premiê entregou uma camisa assinada pelo argentino Lionel Messi - seu compatriota, que atualmente joga no Paris Saint-Germain - bem como a primeira edição ilustrada de "O Corcunda de Notre-Dame", romance de Victor Hugo, de 1836. O papa retribuiu os presentes com um mosaico que representa os viticultores e com uma edição especial dos documentos de seu pontificado.

Depois do encontro, Castex visitou a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro na companhia do ministro do Interior, Gérald Darmanin, e do chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian.

(Com informação da AFP)

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