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Coronavírus

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1 mês

Casos de covid-19 disparam no Reino Unido, e chegada do inverno preocupa

Disparada é associada ao fim precoce de medidas restritivas e da obrigatoriedade para o uso de máscara - Rob Pinney/Getty Images
Disparada é associada ao fim precoce de medidas restritivas e da obrigatoriedade para o uso de máscara Imagem: Rob Pinney/Getty Images

Vivian Oswald

Em Londres (Reino Unido)

19/10/2021 07h02Atualizada em 19/10/2021 11h54

Depois de sair na frente na corrida da vacina contra a covid-19, o Reino Unido se destaca como um dos países com o maior número de novas contaminações na Europa. Perde para Sérvia e Romênia.

Atribui-se a disparada de casos diários, cerca de 45 mil, à pressa para reabrir a economia associada ao fim da obrigatoriedade das máscaras, segundo especialistas.

Por mais que as vacinas tenham chegado depressa e um grande percentual da população tenha recebido as duas doses, os britânicos — a Inglaterra sobretudo — acabaram com todas as restrições no dia 19 de julho, bem antes da Dinamarca, por exemplo, um dos primeiros países do Velho Continente a promover a reabertura, no final de agosto.

Na Noruega, só se fez o mesmo há algumas semanas. Alemanha e Itália ainda impõem uma série de restrições, assim como a Espanha, onde se exigem o distanciamento social nas escolas e o uso de máscaras para pessoas com mais de seis anos. Na França e em outros países europeus, cobra-se o passaporte da vacina.

No Reino Unido, não. Aliás, casas noturnas têm funcionado sem qualquer tipo de restrição sanitária. Museus e supermercados recomendam o uso de máscaras, mas a decisão de utilizá-las, ou não, está a critério do público.

Tudo isso acaba aumentando o número de contatos entre as pessoas e complica as medidas para conter a disseminação de um vírus que se espalha depressa justamente pelo contato.

Nos trens ou ônibus em Londres, boa parte dos usuários já dispensou a máscara. No entanto, o acessório é condição para se utilizar os meios de transporte público, conforme indica o site da Transports for London. Mas não é lei. Com isso, muita gente se sente desobrigada.

Neste momento, especialistas discutem que a aplicação das doses de reforço da vacina é lenta. Só estão disponíveis a um grupo restrito de pessoas com doenças pré-existentes e acima de 50 anos, desde que já tenham tomado a segunda dose há seis meses.

Trinta milhões de pessoas estariam qualificadas para tomar a terceira dose. Mas só 3,7 milhões tomaram até agora.

Outra questão de imunização que prejudica o Reino Unido está no fato de somente agora os adolescentes estarem sendo vacinados. Por isso, países como a França, Alemanha e outros europeus já passaram à frente dos britânicos em percentual de imunizados.

Chegada do frio preocupa

Com o inverno se aproximando, o quadro se complica para os britânicos. Essa é uma das maiores preocupações neste momento.

A estação vai pressionar o NHS, o sistema gratuito de saúde pública britânico, com as doenças respiratórias de sempre. Mas a verdade é que o NHS já está sob pressão, porque tenta atender os casos de pacientes que tiveram seus tratamentos adiados por conta da pandemia.

O número de novas contaminações diárias por covid-19 no Reino Unido na última semana ficou em torno de 45 mil. Foram 49 mil no dia 18 de outubro. Trata-se de um aumento de 16,2% na média dos últimos sete dias.

Os óbitos ficaram acima de 120 na média diária da última semana, o que significa uma alta de 11,4%. A taxa de mortalidade é três vezes maior do que a de outras grandes nações europeias.

Tudo isso se complica com as perspectivas que nos dão alguns estudos científicos recentes, que já apontam para uma eficácia menor da cobertura das vacinas que já foram aplicadas com o passar do tempo. Daí, a necessidade de se entrar com o reforço.

Diante dos desdobramentos da pandemia no Reino Unido, já se fala em retomar o uso de máscaras no inverno e de se recomendar a volta ao trabalho remoto para aqueles que podem.

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