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Estudo aponta que EUA e China têm 46% de chances de travar uma guerra armada nos próximos dez anos

22/10/2021 12h42

A revista francesa L'Obs traz em sua edição desta semana a análise de um estudo recente sobre a probabilidade de uma guerra armada entre China e Estados Unidos. A pesquisa, realizada por uma empresa australiana, prediz possíveis conflitos diretos ou indiretos entre os dois países nos próximos dez anos. 

A revista francesa L'Obs traz em sua edição desta semana a análise de um estudo recente sobre a probabilidade de uma guerra armada entre China e Estados Unidos. A pesquisa, realizada por uma empresa australiana, prediz possíveis conflitos diretos ou indiretos entre os dois países nos próximos dez anos. 

O estudo, realizado pelo reputado escritório de consultoria em investimentos Coolabah Capital Investments (CCI), é fruto de um projeto intitulado "Laboratório de Guerra" (war lab), lançado no início de 2020 com o Australian Strategic Policy Institute (ASPI), o principal think tank de relações internacionais do país. 

Os pesquisadores reuniram e cruzaram dados disponíveis sobre todos os conflitos ocorridos no mundo nos últimos 160 anos. Em seguida, graças a uma técnica de análise de estatísticas batizada de "regressão logística de eventos raros", conseguiram construir um modelo de previsões de uma guerra nos próximos dez anos. 

Segundo os resultados obtidos pelo "war lab", há 46% de chances de um confronto armado entre a China e os Estados Unidos na próxima década. A probabilidade de que esse conflito se torne uma guerra total, ultrapassando os dois países, é de 11,8%. 

Ainda segundo os pesquisadores, o perigo vem principalmente das tensões ligadas à Taiwan. De acordo com o estudo, existe 75% de risco que a situação na ilha reivindicada por Pequim, mas que conta com o apoio de Washington, possa ser o gatilho de uma guerra entre chineses e norte-americanos. E essas conclusões foram divulgadas bem antes da revelação feita esta semana sobre o sucesso dos testes de um míssil hipersônico chinês, uma proeza que surpreendeu os Estados Unidos e alimentou ainda mais as tensões entre os dois países, lembra a reportagem. 

Os pesquisadores australianos também aplicaram o método em projeções envolvendo outros países. E concluíram que "apesar da postura agressiva de Vladimir Putin, os risco de confrontos armados entre Estados Unidos e Rússia são de 'apenas' 30%, com a possibilidade de uma guerra total desencadeada por esse conflito na casa dos 2%". Esses números apontam, segundo a revista, que os riscos de conflito não vêm necessariamente de inimigos da época da Guerra Fria.  

Porém, outras zonas de conflito potencial não podem ser esquecidas, segundo o estudo. O risco de um confronto armado entre a Índia e a China nos próximos dez anos, por exemplo, são de 55%, de acordo com os pesquisadores. 

"Evidentemente não se trata de dados precisos, e sim de grandes tendências potenciais", pondera a revista L'Obs. Porém, continua a reportagem, "esses resultados refletem bem as ameaças que pesam sobre o planeta, principalmente na Ásia". 

Risco de conflito severo entre EUA e Irã

Mas a curto prazo, o que mais preocupa os pesquisadores australianos é a relação entre Estados Unidos e Irã. Segundo as estatísticas, há 22% de chances que Washington bombardeie a República Islâmica até 2025. "Isso quer dizer que, se confiarmos nas projeções, os próximos anos serão particularmente perigosos", resume a L'Obs

A única conclusão otimista vem da Europa. Ainda de acordo com o "war lab", o risco de conflito nos próximos dez anos entre França e Alemanha, ou ainda entre França e Reino Unido é quase inexistente (0,2%). "O que mostra que o passado não foi necessariamente feito para se repetir", conclui a revista.