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Crise na Ucrânia: Europeus querem saída diplomática; Rússia vê racha na Otan

Tanque russo durante exercício militar na região de Rostov, na fronteira com a Ucrânia - Sergey Pivovarov/Reuters
Tanque russo durante exercício militar na região de Rostov, na fronteira com a Ucrânia Imagem: Sergey Pivovarov/Reuters

Stéphane Siohan

RFI, Kiev

26/01/2022 10h46Atualizada em 26/01/2022 11h27

Várias vozes críticas se levantam para denunciar a posição alarmista e desestabilizadora dos Estados Unidos na crise envolvendo a Rússia e a Ucrânia. Na noite de ontem, um avião de carga americano pousou em Kiev, entregando várias dezenas de mísseis antitanques Javelin para o Exército ucraniano. Neste contexto, os europeus, e a França em particular, tentam conquistar espaço no processo de desescalada entre americanos e russos.

Conselheiros diplomáticos de Rússia, Ucrânia, Alemanha e França iniciaram uma reunião na tarde de hoje, no Palácio do Eliseu, em Paris, com o objetivo de amenizar a crise nas fronteiras da Ucrânia e preparar a conversa prevista na sexta-feira (28) entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente russo, Vladimir Putin, por telefone.

Diplomatas franceses e europeus estão particularmente irritados com as manobras americanas na Ucrânia. Em Paris e outras chancelarias, eles têm dificuldade em digerir a decisão, que consideram prematura, dos americanos, britânicos e australianos de evacuar seu pessoal diplomático de Kiev, enquanto a mobilização preventiva de 8.500 soldados americanos ainda poderia acrescentar lenha na fogueira antes de uma nova reunião crucial marcada para sexta-feira em Genebra, na qual os Estados Unidos devem fornecer respostas por escrito às exigências de segurança da Rússia. Essa frente de negociação acontece no âmbito da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Em Moscou, está difícil de levar os europeus a sério. No site de um canal de televisão independente, a iniciativa franco-alemã de convocar um diálogo no Palácio do Eliseu é analisada como um sinal de divisão entre os membros da OTAN.

Ontem, após encontro com o chanceler alemão, Olaf Scholz, em Berlim, Macron alertou que a Rússia "pagará" caro se invadir a Ucrânia. Apesar do tom de ameaça, o objetivo da maioria dos líderes europeus é solucionar a crise pela via diplomática. Mas o único interlocutor que realmente interessa ao Kremlin são os Estados Unidos. Putin busca nesta crise que seu país, enfraquecido economicamente, continue a ser reconhecido como uma grande potência.

A Europa tem muito mais a perder do que os Estados Unidos em seu confronto com a Rússia. Seria muito mais complicado aplicar sanções contra Moscou, que é um vizinho, do que a um adversário que está do outro lado do mundo. A Rússia considerou hoje como "destrutiva" a ideia mencionada pelo governo americano de punir Vladimir Putin, caso ele opte por um desfecho bélico.

Russos não querem conflito armado

Os russos não estão interessados em um conflito armado: apesar de a mídia, principalmente estatal, evocar frequentemente uma possível invasão da Ucrânia, para evitar que a ex-república soviética integre a OTAN, apenas 39% da população russa acredita que uma guerra é iminente, segundo a última pesquisa de opinião publicada no país.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira que Moscou tomará as medidas apropriadas caso os Estados Unidos e a OTAN não respondam aos pedidos de garantia sobre a não expansão da aliança militar ocidental às ex-repúblicas soviéticas.

Enquanto as rodadas de negociação prosseguem sem que se note avanço, navios de guerra russos entraram hoje no mar de Barents, para exercícios militares que visam proteger uma rota de navegação importante no Oceano Ártico. Moscou já havia anunciado na semana passada a realização dessas manobras, mas elas ocorrem em um momento em que os países ocidentais seguem com preocupação todas as decisões do Kremlin.

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