Após morte de ex-marido, polícia deve pedir arquivamento sobre assassinato de procuradora
Rayder Bragon
Do UOL, em Belo Horizonte
A delegada responsável pelo inquérito sobre a morte da procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo, 35, disse nesta sexta-feira (3) que, depois de ouvir testemunhas, acredita que a motivação do crime tenha sido passional e que, com a morte do principal suspeito, a tendência é que o caso seja arquivado.
Suspeito encontrado morto
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Djalma Veloso teria matado a ex a facadas; seu corpo foi encontrado em um motel horas depois do assassinato
Ana Alice foi assassinada no começo da madrugada de ontem na casa onde morava com os dois filhos do casal, em um condomínio de luxo na cidade de Nova Lima (região metropolitana de BH). Segundo uma empregada da família, o ex-marido dela, o empresário Djalma Brugnara Veloso, 49, discutiu com a procuradora e teria a matado a facadas, antes de fugir. Na noite de ontem, o corpo de Veloso foi encontrado em um motel em Belo Horizonte.
A delegada Renata Ribeiro Fagundes afirma que a investigação tentará averiguar se o crime teria sido premeditado, mas a tendência será pedir à Justiça o pedido de arquivamento do inquérito. “A motivação do crime seria passional, desacerto em relação à separação. Diz respeito à separação em geral e tudo que ela envolve”, resumiu a delegada, afirmando não saber se a guarda dos 2 filhos do casal seria um dos motivos.
De acordo com informações preliminares recebidas pela delegada, o suspeito teria se suicidado com a utilização de uma faca, que será periciada com objetivo de determinar se é a mesma arma utilizada na morte da procuradora. Segundo ela, as investigações serão a cargo de delegacia de homicídios do Barreiro, em Belo Horizonte.
Procuradora foi morta em casa de luxo em MG
Veja Álbum de fotos“Acerca do inquérito sobre as ameaças e sobre a morte da vítima, a gente ainda vai ouvir mais testemunhas e finalizar o inquérito. Chegando o laudo e sendo comprovado o autoextermínio do agente [Djalma Veloso], vamos sugerir o arquivamento”, afirmou hoje durante entrevista coletiva. “Vamos ouvir mais duas ou três testemunhas, vamos aguardar os laudos, tanto da morte dela quanto da morte do suposto autor”, completou.
O corpo da procuradora está sendo velado no cemitério Bosque da Esperança, em Belo Horizonte, e o enterro está programado para ser feito às 13h. A imprensa foi impedida, a pedido de familiares, de entrar no local.
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A procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo, 35, foi assassinada em Nova Lima (MG); ex-marido, que foi encontrado morto, era o principal suspeito pelo crime
Morte do suspeito
O corpo de Djalma Brugnara Veloso foi encontrado por funcionários, que estranharam o silêncio do hóspede após quase um dia de permanência no quarto. A polícia de BH investiga a possibilidade de Veloso ter se matado, mas não afasta a possibilidade de assassinato, porque havia ferimentos em várias partes do corpo e sinal de violência no pescoço, além de sangue na cama, no chão e no banheiro.
Sob o corpo foi achada uma faca que, segundo a PM, pode ter sido a mesma usada para matar Ana Alice. Conforme a polícia, o suspeito deu entrado no motel às 4h45 de ontem.
Ontem, a Justiça de Minas Gerais havia deferido pedido da Polícia Civil e decretado a prisão preventiva de Veloso. O suspeito estava foragido e era procurado.
Morte da procuradora
De acordo com a Polícia Militar mineira, o empresário não morava mais no local, onde residiam Ana Alice e os dois filhos do casal, mas entrou na residência durante a noite de quarta-feira. Segundo uma empregada da casa, ele começou a discutir com Ana Alice, com quem não vivia mais havia duas semanas.
Em seguida, conforme policiais que atenderam à ocorrência, o suspeito teria assassinado a mulher. Ainda conforme a polícia, o empresário fugiu em um carro conversível.
Ameaça e proteção tardia
A delegada da Polícia Civil mineira Renata Ribeiro Fagundes, responsável pelo caso, afirmou que Ana Alice havia ido à 4ª Delegacia de Nova Lima, em 24 de janeiro, para registrar um boletim de ocorrência de ameaça de morte contra o suspeito.
“Foi confeccionado um Eamp (Expediente Apartado de Medida Protetiva), que a lei Maria da Penha oferta. Esse expediente foi encaminhado no mesmo dia à Justiça”, disse. Segundo a delegada, a mulher buscava resguardar seus direitos porque pretendia deixar a casa, mas não queria abrir mão da guarda dos filhos.
“Ela requisitou algumas medidas protetivas, entre as quais o afastamento dela do lar sem prejuízo de seus direitos, para que isso não configurasse abandono do lar, até serem deferidas as medidas protetivas e o afastamento do agressor do lar”, informou.
Segundo a policial, a mulher foi orientada a fazer uma representação criminal contra o suspeito e a deixar a casa, mas não soube informar a razão de a mulher ter permanecido na residência.
“Eles residiam juntos e estavam em processo de separação”, disse a responsável pelo inquérito. Renata Fagundes informou que vai ouvir testemunhas e que uma perícia será feita no local do crime, mas adiantou que a mulher foi morta no quarto do casal, em cima de uma cama. “Ele havia sido intimado ontem a comparecer à delegacia, já que foi instaurado um inquérito para averiguar as ameaças.”
A policial não soube precisar há quanto tempo que o casal estava junto, mas disse ter ouvido da vítima que o marido tinha se tornado uma pessoa agressiva nos últimos doze meses.
A delegada disse que a empregada que acionou a polícia, e os filhos do casal, foram encaminhados a um local não revelado, por medida de segurança. Eles estavam na residência, no momento em que ocorreu o crime.
O TJ informou que o magistrado Juarez Azevedo havia deferido medida protetiva que determinava a saída do acusado da casa onde a procuradora foi morta. O despacho saiu depois das 18h de quarta, horas antes de ela ser assassinada.
O advogado da procuradora disse que fez o pedido de afastamento do lar para o ex-marido porque considerou insuficientes medidas protetivas que já haviam sido deferidas no dia 25 de janeiro à sua cliente: o suspeito deveria manter-se afastado por 30 metros dela, não poderia manter contato por nenhum meio de comunicação com ela nem com os filhos e não poderia frequentar determinados locais onde eles estivessem.
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