Virose leva a prisão de chefe do tráfico e elo do PCC no ABC paulista

Rafael Motta
Do UOL, em Santos (SP)

Ao procurar tratamento para uma virose, um acusado de comandar o tráfico de drogas no ABC paulista foi preso por policiais civis na noite desse domingo (4). Marcelo Garrido, o "Neymar", 31, estava em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Praia Grande (71 km de São Paulo), e policiais o levaram à Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de São Bernardo do Campo na madrugada nesta segunda-feira (5).(5).

"Neymar" era considerado foragido desde a última semana, quando a Polícia Civil deflagrou a operação "Sintonia Fina". Seu pai – Orivaldo Garrido, conhecido como "Patatá" – havia sido capturado na sexta-feira (2) enquanto dormia, em Praia Grande (71 km de São Paulo). Orivaldo e outros 27 suspeitos foram detidos durante a operação.

Investigações feitas pela Polícia Civil desde o semestre passado apontam que "Neymar" era o elo entre chefes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e parte da organização do ABC. Também arrecadava dinheiro, distribuía drogas em operações atribuídas ao grupo e estimulava comparsas a assassinar policiais.

"Pega alguém, porque senão vou ter que pôr alguém no seu lugar, mano, pra te enrolar, mano. Por quê? Você não tá conseguindo suprir a caminhada, entendeu, 'parça'?", disse Marcelo Garrido, em gravação telefônica feita por policiais com autorização judicial e divulgada nesta segunda no telejornal "Bom Dia SP", da TV Globo.

A Dise de São Bernardo do Campo informou que "Neymar" foi transferido, por volta das 10 horas desta segunda, para o CDP (Centro de Detenção Provisória) da cidade. Superlotada, a unidade abriga 2.237 homens onde deveria haver, no máximo, 768, como indica o site da SAP (Secretaria de Estado da Administração Penitenciária).

Violência no Estado de São Paulo
Violência no Estado de São Paulo

"Desarticulação da estrutura"

De acordo com a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), todos os presos têm ligação com o PCC e passagens por crimes como homicídio, extorsão mediante sequestro e roubo. O objetivo da ação é "a desarticulação da estrutura do crime organizado".

Em balanço divulgado pela SSP na sexta-feira, as apurações começaram em janeiro deste ano, e a operação transcorreu em 12 cidades de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e do Paraguai. A quadrilha também atua no Maranhão.

Ao menos outras "duas dezenas" de pessoas estao sendo investigadas, como disse, na ocasião, o delegado-geral da Polícia Civil, Luiz Mauricio Blazeck.

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