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"Não culpem os negociadores", pede secretário-geral da Rio+20

O secretário-geral da Rio+20 Sha Zukang, durante abertura da primeira sessão plenária da Rio+20 - EFE/Antonio Lacerda
O secretário-geral da Rio+20 Sha Zukang, durante abertura da primeira sessão plenária da Rio+20 Imagem: EFE/Antonio Lacerda

Maria Denise Galvani

Do UOL, no Rio

22/06/2012 15h35Atualizada em 22/06/2012 16h03

O secretário-geral da Rio+20, Shah Zukang, apresentou os “compromissos voluntários” de empresas, sociedade civil e governos paralelos à negociação da ONU como o melhor da conferência.

Ele reconheceu que a declaração final que deve sair do encontro não deixou a maioria das pessoas “felizes”, mas pediu que não se culpem os negociadores nem as Nações Unidas. “Não culpem os homens de Estado, eles representaram os seus países e consultaram constantemente a sociedade. Trabalho há 43 anos nas Nações Unidas e aprendi que a ONU é o que nós fazemos dela”, afirmou Zukang.

Zukang participou de uma cerimônia para anunciar o recebimento pelas Nações Unidas de quase 700 compromissos voluntários assumidos por governos, empresários e organizações para iniciativas em sustentabilidade. “Isso é o que faz a diferença e o que realmente importa, iniciativas sérias de implementação”, disse.

O coordenador-executivo da Rio+20, Brice Lalonde, fez coro o discurso de Zukang. “As pessoas tinham muita expectativa por um acordo, e um acordo foi feito. Pode ser um entendimento menos espetacular que o de 1992, mas talvez a partir de agora mais medidas concretas sejam implementadas”, afirmou.

E se os negociadores fossem outros?

“Acho que os negociadores deveriam se aposentar aos 45 anos e pelo menos metade deles deveriam ser mulheres – de preferência, mães. Aí, se chegaria a um acordo em um ano”, atacou José Maria Figueres, presidente da Carbon War Room, uma associação de empresários preocupados com as mudanças climáticas.

Figueres foi convidado a falar ao lado do secretário-geral sobre os compromissos assumidos pela organização durante a Rio+20. “Ao mesmo tempo, a ONU conseguiu motivar empresários de centenas de nações a assumirem compromissos, e isso merece crédito. É uma questão de ver o copo ‘meio cheio’ ou ‘meio vazio’”, disse.