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Maduro não tem "poder moral" só "força bruta", diz chanceler Ernesto Araújo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em discurso em Brasília - Reprodução
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em discurso em Brasília Imagem: Reprodução

23/02/2019 09h05

Boa Vista (RR), 23 fev (EFE).- O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse hoje em declarações à Agência Efe que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, "não tem poder real", "nem poder moral, só tem o poder da força bruta".

Araújo garantiu que "a queda de Maduro é questão de tempo" e que espera que "os militares venezuelanos" compreendam "que devem apoiar" o presidente do parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país em janeiro e foi reconhecido por cerca de 50 nações, entre elas o Brasil.

O chanceler acompanha neste sábado o transporte de Boa Vista, capital de Roraima, até Pacaraima, cidade situada na própria linha fronteiriça com a Venezuela, de parte das 200 toneladas de ajuda humanitária do Brasil para o país vizinho.

"A Venezuela vive um momento de mudança irreversível", disse à Efe o ministro, momentos antes de seguir rumo a Pacaraima, que fica a 220 quilômetros de Boa Vista.

No entanto, a passagem fronteiriça permanece fechada desde a última quinta-feira, quando Maduro decretou o bloqueio por tempo indeterminado da divisa entre os dois países.

"A triste realidade que a Venezuela vive não se sustenta", opinou Araújo.

O governo de Jair Bolsonaro esclareceu ontem que a Polícia Rodoviária Federal e efetivos do exército apenas escoltarão os dois "caminhões venezuelanos, conduzidos por venezuelanos" que partiram hoje para a fronteira, e descartou uma "ação agressiva" contra o país vizinho.

O chanceler Ernesto Araújo esteve ontem na cidade de Cúcuta, na Colômbia, próxima da fronteira com a Venezuela, onde acompanhou o show "Venezuela Aid Live", organizado pelo magnata britânico Richard Branson.

Ali, o ministro se encontrou com Guaidó e com os presidentes de Colômbia, Iván Duque; Chile, Sebastián Piñera; e Paraguai, Mario Abdo Benítez.

O chanceler disse que percebeu em Cúcuta que "há uma energia muito intensa, muita esperança e absoluta indignação" e garantiu que já existem planos internacionais para a "reconstrução da Venezuela", em caso de derrocada do governo Maduro.

Além disso, Araújo expressou "uma tristeza muito grande" pelas duas pessoas que morreram e pelas 15 que ficaram feridas durante um enfrentamento ontem entre as forças armadas venezuelanas e integrantes de uma comunidade indígena no estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil, segundo informaram deputados da oposição venezuelana.

EFE