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Viradouro traz magia à avenida e sonha alto nas asas de Paulo Barros

Bruna Prado/UOL
Imagem: Bruna Prado/UOL

Leonardo Rodrigues*

Do UOL, em São Paulo

2019-03-03T23:24:14

2019-03-04T14:01:08

03/03/2019 23h24Atualizada em 04/03/2019 14h01

Campeão do Grupo de Acesso no Carnaval 2018 do Rio, a Unidos da Viradouro fez um desfile para se manter de uma vez por todas na elite carioca e, quem sabe, beliscar o título. Se isso acontecer, o grande responsável será o carnavalesco Paulo Barros, tetracampeão e um dos grandes talentos do Carnaval, que voltou à escola após uma década.

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Buscando o bicampeonato, a escola fez um lindo desfile abordando a histórias de um livro mágico infantil. O enredo "Viraviradouro" trouxe uma mensagem lúdica e positiva ao longo de 31 alas, 6 alegorias e 2.900 integrantes.

Este ano a Viradouro tem três tabus para quebrar: 1) Desde 2010, a campeã do Acesso não permanece no Grupo Especial no ano seguinte, sem necessidade de mudanças no regulamento; 2) Desde 2000, a escola oriunda do Acesso não volta ao Sábado das Campeãs; 3) Nunca uma escola ganhou o Acesso e no ano seguinte o Especial.

Não será surpresa se essas marcas caírem.

Harry Potter de Oz

As comissões de frente de Paulo Barros costumam ser um show à parte. E este ano não foi diferente. Ele montou uma história ao estilo dos contos de fadas. Um menino interage com a avó e abre o livro mágico. O feitiço toma conta. Bruxas surgiram em caldeirões. Príncipes viraram sapos. Uma princesa drag queen, Suzy Brasil, deu as caras. Uma abertura mais uma vez em grande estilo.

Parque de diversão

Em um dos carros alegóricos, bruxas alçavam voos de cerca de 10 m de altura, saindo de um castelo que compensou a falta de tamanho em detalhes. O carro fantasmagórico trouxe teias de aranhas compradas por Barros no Halloween em Nova York. Com lindas fantasias, riquezas de detalhes e referências pop a "A Bela e Fera" e "Piratas do Caribe", que ganhou um navio alegórico, o clima de parque temático imperou.

Reprodução/Globoplay
Carro alegórico ergue bruxas na Marquês de Sapucaí Imagem: Reprodução/Globoplay

"Paradaços"

A primeira paradinha de bateria rolou apenas depois de 25 minutos de desfile, tempo considerado longo, e perdurou por vários instantes. Depois, ela voltou quebrada e intermitente, para todos cantarem junto. As seguintes paradinhas vieram com mais mudanças. Mantendo a tradição, as paradinhas criativas da Viradouro foram uma das marcas do desfile, assinatura do mestre Ciça, que desfilou com fantasia inspirada no mago Merlin.

Velha Guarda à frente

Pensando no andamento do desfile, a Viradouro escolheu colocar a velha guarda da escola entre as primeiras alas, e não no fim, como tradicionalmente aparecem no Carnaval. O motivo: não correr o risco de atrasar a evolução nem de haver correria no encerramento. É o dedo de Paulo Barros, que também evita construir carros largos para evitar problemas de descolamento.

Fênix

Uma alegoria com a imagem da ave mitológica fechou em grande estilo o desfile da Viradouro, com fumaça, flores, plantas, com um mar vermelho de integrantes que se erguiam e se misturavam em movimentos hipnóticos. Segundo Barros, a ideia da alegoria era trazer uma mensagem de paz, esperança e, sobretudo, de renovação pessoal e espiritual. Nossa alma precisa nascer de novo, assim como fez o Carnaval carioca na era pós-Barros. A Viradouro vem forte para a apuração.

Canavalesco passista

Paulo Barros caiu no samba durante o desfile da escola. Ele aproveitou a apresentação como um componente qualquer e entoou o samba da escola que, segundo ele, retrata um momento pessoal. "Acho que nunca cantei na minha vida como hoje. Foi emocionante. Não sei como foi o desfile como um todo. A gente vai assimilando, crescendo e entendo mais o julgamento", disse ele ao UOL após o desfile.

*Com informações de Gabriel Sabóia, do UOL, no Rio

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