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Amaury Ribeiro Jr

Interpol pede regra dura sobre criptomoedas para conter lavagem de dinheiro

Congresso internacional de investigação alerta para o uso de moedas digitais para práticas ilegais - Shutterstock
Congresso internacional de investigação alerta para o uso de moedas digitais para práticas ilegais Imagem: Shutterstock
Amaury Ribeiro Jr

Natural de Londrina (PR), Amaury Ribeiro Jr é jornalista, escritor e compositor. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou como repórter especial dos jornais O Globo, JB, Correio Brazilense. Trabalhou também como editor da revista IstoÉ e produtor executivo da Rede Record. Em trinta anos, ganhou os principais prêmios de jornalismo: Esso (três), Embratel (dois), Líbero Badaró (dois), Vladimir Herzog (quatro), Rei da Espanha entre outros. É autor dos livros "Privataria Tucana", "O Lado Sujo do Futebol" (junto om Luiz Carlos Azenha e Leandro Cipoloni) e "Poderosos Pedófilos".

27/11/2020 12h14

A Interpol e a Europol (serviço de polícia da Europa) estão em campanha para que os governos endureçam as regras e a fiscalização das transações de bitcoins e de outras moedas ou ativos digitais.

As entidades policiais defendem, por exemplo, o confisco e o bloqueio de ativos virtuais que estejam sendo usados para lavar dinheiro de organizações criminosas, criminosos do colarinho branco, narcotraficantes e grupos terroristas. A proposta consta do texto final da 4ª Conferência Mundial Sobre Finanças Criminais e Criptomoedas, ocorrido no último dia 19.

Organizado pela Interpol, Europol e Basel Institute on Governance (organização independente de combate à lavagem de dinheiro), o encontro virtual reuniu 2.000 convidados de 110 países. "Os ativos virtuais devem ser tratados os como outro bem qualquer em termos de confisco no combate à lavagem de dinheiro", diz o documento.

Conforme já destacou esta coluna, o uso de criptomoedas passou a ser um dos principais mecanismos de lavagem de dinheiro, segundo especialistas.

As criptomoedas atraem organizações criminosas por não estarem sujeitas à fiscalização de nenhum órgão público do país e do mundo. Ao contrário das instituições financeiras, não se submetem a normas e legislação.

Interpol e Europol querem mudar as regras do jogo. Os investigadores de dinheiro sujo sugerem a criação de regras rígidas para regulamentar os provedores dos ativos virtuais. Normas que possibilitem por exemplo aos policiais terem acesso a arquivos de todas as transações com criptomoedas e seguir o dinheiro passo a passo.

Detetives cibernéticos

As forças policiais internacionais defendem também investimentos pesados em tecnologia e a criação de grupos de investigação, formados por peritos cibernéticos e especialistas da área financeira em lavagem de dinheiro.

A Interpol e a Europol propõem também a parceria do setor público com empresas privadas, organizações não governamentais e universidades e entidades de combate à lavagem de dinheiro

"A briga é diária. Os detetives virtuais descobrem hoje um modo operante de lavagem de dinheiro e no outro dia os mineradores (operadores de transações com moedas digitais) inventam uma coisa nova", diz um especialista da Polícia Federal e da Interpol que participou do congresso.

De acordo com o especialista, o uso dos ativos virtuais trouxe para o mercado empresas especializadas em rastrear operações de lavagem de dinheiro sujo por meio de criptomoedas. Os profissionais dessas companhias são conhecidos como "detetives cibernéticos" ou "espiões digitais". Ao contrário dos agentes secretos convencionais, esses detetives não se infiltram em governos inimigos e tampouco usam armas. O computador é a única ferramenta usada por eles.

"Essas empresas e detetives trabalham tanto para as policiais de todo mundo quanto para empresas sérias, que operam de forma legal com as criptomoedas", diz o especialista

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.