PUBLICIDADE
Topo

Amaury Ribeiro Jr

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

MPSC recebe denúncia sobre professores contaminados em creche de Itajaí

Cartazes em protesto de professores, em Itajaí (SC) - Redes sociais
Cartazes em protesto de professores, em Itajaí (SC) Imagem: Redes sociais
Amaury Ribeiro Jr

Natural de Londrina (PR), Amaury Ribeiro Jr é jornalista, escritor e compositor. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou como repórter especial dos jornais O Globo, JB, Correio Brazilense. Trabalhou também como editor da revista IstoÉ e produtor executivo da Rede Record. Em trinta anos, ganhou os principais prêmios de jornalismo: Esso (três), Embratel (dois), Líbero Badaró (dois), Vladimir Herzog (quatro), Rei da Espanha entre outros. É autor dos livros "Privataria Tucana", "O Lado Sujo do Futebol" (junto om Luiz Carlos Azenha e Leandro Cipoloni) e "Poderosos Pedófilos".

Colunista do UOL

05/03/2021 13h25

O MPSC (Ministério Público estadual de Santa Catarina) recebeu uma denúncia, encaminhada por uma ONG (Organização Não Governamental), de que sete professores continuaram trabalhando em uma creche municipal de Itajái (SC), mesmo depois que exames indicaram que eles foram infectados pelo novo coronavírus. Ontem, a prefeitura informou ao UOL que não tem conhecimento do caso (leia mais abaixo).

A coluna apurou que a informação provocou revolta e medo nos demais funcionários da creche Vereador Otavio Cesario Pereira em Itajaí, município localizado a cerca de 100 km de Florianópolis. A exemplo de outros municípios catarinenses, Itajaí registra o maior pico de pacientes com covid-19 desde o começo da pandemia. Segundo a denúncia, os professores não teriam conseguido licença médica por não apresentarem sintomas da doença.

A denúncia foi protocolada no MPSC pelo movimento ativista feminista Vítimas Unidas, que disse ter sido procurado pelos próprios professores. A assessoria jurídica do MP disse à coluna que caberá agora a um setor do órgão fazer uma triagem para decidir para qual das 12 promotorias a denúncia será encaminhada. A partir de então, o promotor decidirá se abre ou não uma investigação.

Segundo a denúncia, o diagnóstico positivo para covid-19 de outros professores e alunos, com idades de 2 a 5 anos, e até mesmo da diretora —que foram diagnosticados e afastados— não foram suficientes para interromper as aulas presenciais na creche.

O UOL conversou com um dos funcionários pelo telefone. Ele disse que está com a doença, mas não conseguiu uma licença. Segundo ele, que pediu para não se identificar "por medo de represálias", as aulas continuavam até esta semana com 20 crianças em cada sala de aula. A unidade tem, no total, cerca de 360 alunos. Ele afirmou que a única pessoa autorizada a falar sobre os professores que não obtiveram licença médica seria a diretora, que estaria afastada.

Antes de sair de licença, a diretora publicou na página dos pais dos alunos na internet que outros sete professores teriam sido contaminados. A diretora só não explica se esses "novos contaminados" são os mesmos que não obtiveram licença. Uma dúvida que caberá ao Ministério Público catarinense esclarecer.

Segundo a denúncia, os sete professores foram atendidos pelo médico plantonista (cujo nome não foi identificado) na manhã da última segunda-feira (1º) no Centro de Triagem de Covid-19 da Marejada, ligado à Secretaria de Saúde do município.

"Essa situação tem causado imenso estresse, obrigando as pessoas a buscar ajuda médica, pois saíram com teste de covid positivo, com medo e sem serem dispensados do trabalho", afirma a denúncia. O movimento ativista Vítimas Unidas pede que o MP solicite à Secretaria de Saúde que todas as pessoas atendidas no plantão sejam novamente examinadas.

Na terça feira (2), professores da rede municipal fizeram um protesto em frente à Prefeitura de Itajaí contra a continuidade das aulas. Durante a manifestação, eles disseram que os casos de covid estão avançando nas escolas do município.

Secretaria diz que comparecimento às aulas não é obrigatório

Por meio de sua assessoria, a Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí disse que não tem conhecimento do caso ocorrido com os sete professores. Também não falou sobre o número confirmado de pessoas que teriam sido infectadas e têm ligação com a creche —alunos ou professores. Os dados seriam controlados pela diretora do centro infantil, que não foi localizada.

A secretaria disse ainda que, nesses casos, orienta os professores a repetirem os exames, visto que não é possível afastá-los sem licença médica. Ainda de acordo com a secretaria, a decisão de manter as aulas no período da pandemia foi do governo e não da prefeitura.

Segundo a secretaria, os pais não são obrigados a mandar seus filhos às escolas, que podem acompanhar as aulas em casa pela internet ou buscar o material didático nas unidades de ensino. A pasta afirmou ainda que, para garantir o distanciamento social, os estudantes estão comparecendo às aulas em semanas alternadas. Metade do alunos vai à aula em uma semana e o restante na semana seguinte.

Crise na Saúde no estado

O governo de Santa Catarina decretou lockdown no fim de semana passado, em meio ao aumento de casos e mortes por covid no estado. Nesta semana, com as UTIs lotadas, pacientes começaram a ser transferidos para o Espírito Santo.

Para o secretário estadual de Saúde, André Motta Ribeiro, o relato de pessoas com covid-19 morrendo enquanto esperam leitos de UTIs não significa falta de atendimento hospitalar no estado. "Pessoas não estão morrendo porque estão na fila esperando UTI, estão morrendo porque é uma doença grave. Muita gente está morrendo na UTI também", disse, em entrevista.

Até ontem (4), a Prefeitura de Itajaí registrou 16.977 casos confirmados de covid-19 e 367 mortes por causa da doença. No estado, são 694.274 casos confirmados e 7.709 óbitos.