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Amaury Ribeiro Jr

Justiça da BA decreta prisão de acusado de feminicídio em triângulo amoroso

Selma Regina Vieira, Eden Marcio Lima de Almeida e Anna Carolina Lacerda. Segundo investigações, Selma era induzida pelo marido a conviver em relacionamento com a amante dele - Reprodução/redes sociais
Selma Regina Vieira, Eden Marcio Lima de Almeida e Anna Carolina Lacerda. Segundo investigações, Selma era induzida pelo marido a conviver em relacionamento com a amante dele Imagem: Reprodução/redes sociais
Amaury Ribeiro Jr

Natural de Londrina (PR), Amaury Ribeiro Jr é jornalista, escritor e compositor. Formado pela Faculdade Cásper Líbero, trabalhou como repórter especial dos jornais O Globo, JB, Correio Brazilense. Trabalhou também como editor da revista IstoÉ e produtor executivo da Rede Record. Em trinta anos, ganhou os principais prêmios de jornalismo: Esso (três), Embratel (dois), Líbero Badaró (dois), Vladimir Herzog (quatro), Rei da Espanha entre outros. É autor dos livros "Privataria Tucana", "O Lado Sujo do Futebol" (junto om Luiz Carlos Azenha e Leandro Cipoloni) e "Poderosos Pedófilos".

28/01/2021 16h33

A juíza da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador, na Bahia, Andreia Sarmento Neto, decretou a prisão do tabelião Eden Marcio de Lima de Almeida, 44, e da amante dele, a estudante Anna Carolina Lacerda, 22. Eles foram denunciados pelo Ministério Público como autores do assassinato da bancária Selma Regina Vieira, 42, ocorrido no dia 15 de abril de 2019.

Segundo revelou o UOL no dia 7 deste mês, a morte da bancária era citada pelo movimento feminista da Bahia como exemplo tanto de morosidade da polícia quanto da impunidade em feminicídio. A juíza aceitou também a denúncia da promotoria contra os dois acusados, que passam a ser réus no processo.

O UOL não conseguiu contato com os advogados do tabelião e da estudante. Em defesa apresentada à Justiça, os advogados negaram a participação de seus clientes no crime. Até o início da tarde de ontem, Eden e Anna Carolina não tinham se apresentado à polícia. Os mandados de prisão foram encaminhados ontem pela manhã.

"Finalmente, apesar de a polícia ter tentado atrapalhar as investigações, a Justiça começa a ser feita. Tenho provas mais do que suficientes para condená-los por esse crime horroroso", afirmou o promotor David Gallo, que atua no caso.

De acordo com a denúncia, Selma, que era casada com Eden, foi espancada pelos dois suspeitos em um apartamento de luxo do marido na Bahia. A bancária morreu por traumatismo craniano.

Triângulo amoroso

Gallo diz na denúncia que Selma vivia um triângulo amoroso com o marido e a amante dele. A informação foi confirmada por Anna Carolina em um vídeo distribuído à imprensa. "Eu amava a Selma. Por isso não a matei", diz no vídeo.

Segundo Gallo, no dia do crime, as vítimas e os dois suspeitos teriam isso a uma festa onde beberam álcool e consumiram drogas. Ao retornar para o apartamento do casal, em Salvador, Selma, após uma discussão, teria sido espancada pelos acusados na cabeça e em outras partes do corpo.

Ainda de acordo com a denúncia, mesmo ferida, Selma conseguiu sair com seu carro. Pelo celular, ela teria sido orientada por familiares a estacionar o carro em um posto de gasolina. Após solicitação dos frentistas, foi socorrida por uma ambulância e encaminhada ao hospital.

"A polícia não queria nem fazer autópsia. Só fez por insistência de um primo que é também policial. Por isso temos muito que comemorar essa decisão da Justiça, que só se manifestou depois desse crime horroroso ter ganhado destaque nacional", afirmou ao UOL Maristela Vieira, prima de Selma.

Ela disse que amigos e familiares estão espalhando pela internet "cartazes de procurados pela polícia" com as fotos de Eden e Anna Carolina. Os familiares também estão fazendo plantão nas casas dos acusados para evitarem que eles tentem fugir.

"Se eles tentarem fugir, nós avisaremos rapidamente à polícia", disse a prima. Maristela conta que a bancária vivia há 22 anos com o marido e que o casal tem duas filhas. Por ser submissa, segundo Maristela, Selma teria aceitado manter o triângulo amoroso imposto pelo marido.

"Por ironia, as duas filhas são criadas pelos dois assassinos. Vamos ver se isso muda agora", afirmou. O promotor Gallo solicitou ao Conselho Tutelar que as duas crianças sejam entregues aos avós maternos.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, ocorreram no ano passado 119 casos de feminicídios em Salvador.