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Chico Alves


"Villas Bôas deveria se preocupar com a convulsão do PSL", diz Freixo

General Eduardo Villas Bôas  - 11.jan.2019 - General Eduardo Villas Bôas discursa em sua despedida do comando do Exército
General Eduardo Villas Bôas Imagem: 11.jan.2019 - General Eduardo Villas Bôas discursa em sua despedida do comando do Exército
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

17/10/2019 15h08

Ouvidos pela coluna, políticos de esquerda reagiram à postagem feita ontem no Twitter pelo general da reserva Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, interpretada como recado ao STF antes da decisão sobre prisão em segunda instância. No tuíte, o oficial, que atualmente é assessor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, diz que é preciso evitar uma "eventual convulsão social".

No meio político, a mensagem foi interpretada como tentativa de intimidação para que o Supremo não tome a decisão que vai resultar na libertação do ex-presidente Lula. Deputados de esquerda, no entanto, não acreditam que Villas Bôas fale pelos militares da ativa.

"Isso é divergente do que os atuais comandantes das Forças Armadas têm falado. Aos militares cabe respeito e preservação da democracia, não ameaça", diz Marcelo Freixo (PSOL-RJ). "Villa Boas fala mais como membro de um governo que não tem respeito pela democracia que pelas Forças Armadas. A convulsão que ele deveria estar preocupado é a convulsão dentro do PSL. O que ele fala não tem respaldo nos quartéis".

Líder da Minoria na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também criticou a postagem. "É de se estranhar que em toda véspera de julgamento de recomposição do estado democrático de direito o general Villas Bôas se manifeste interferindo na vida civil do país", reclama a deputada."Não estamos às vésperas de qualquer convulsão social e esperamos que os militares se mantenham dentro dos quartéis, nas suas posições de salvaguarda da fronteira e na salvaguarda da Constituição. Não há que se esperar que os militares interfiram na posição dos ministros do STF".

No ano passado, antes que o Supremo julgasse um pedido para evitar a prisão de Lula, o general também escreveu mensagem no Twitter em tom ameaçador. Na época, foi repreendido pelo decano da corte, ministro Celso de Mello.

"As Forças Armadas não devem se meter em dar opinião política em nível nenhum, conforme manda a Constituição", diz o deputado federal José Guimarães (PT-CE) "É uma declaração inoportuna, uma ameaça à ordem democrática. O que pode gerar convulsão é a crise econômica e o desemprego se eles romperem a legalidade".

Guimarães lembrou que simpatizantes do governo Bolsonaro foram às redes sociais nos últimos dias para pedir a volta de um regime de exceção. "O 'general' Olavo (de Carvalho) diz que o AI-5 talvez seja a saída para governar o Brasil e eles ficam em silêncio. A democracia brasileira foi construída com muita dor, muito sangue e muita luta, o general Villas Bôas sabe bem disso. Chega a ser uma declaração ameaçadora, mas não vamos nos calar".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Chico Alves