Chico Alves

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Prefeitura tira cobertores dos que dormem na rua, diz Julio Lancellotti

Em pleno inverno que tem batido recordes de temperaturas baixas, agentes da Prefeitura de São Paulo estão recolhendo pertences de pessoas em situação de rua sem que muitas delas atendam aos requisitos para se alojar nos abrigos municipais. Com isso, acabam ficando ao relento. A denúncia é do padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua. "Nessas operações, que eles chamam de zeladoria urbana, os agentes retiram cobertores, agasalhos, roupas, remédios, colchões, documentos, tudo", disse o religioso à coluna.

Segundo Lancellotti, existe um decreto na prefeitura que regulamenta e disciplina essas ações, mas não é cumprido. "Eu falei para o prefeito Ricardo Nunes (MDB) que a regulamentação diz que não se pode retirar elementos que garantam a sobrevivência e que isso não é obedecido. Não adiantou", lamenta.

O que a prefeitura apresenta como novidade para enfrentar o problema, diz o padre, é o projeto Reencontro, que aloja pessoas em conteineres adaptados como residências. "Isso é para um grupo insignificante, muito pequeno. Quanto aos centros de acolhida, muitos deles estão em precaríssimas condições", afirma. "A burocratização para acolhimento é muito grande, muitos não se enquadram".

A coluna procurou a Prefeitura para comentar as declarações do religioso. Por meio da Subprefeitura Sé, o governo municipal "informa que não retira cobertores e/ou pertences das pessoas em situação de rua. Os cobertores são recolhidos pelas equipes de zeladoria, excepcionalmente, quando são dispensados nas ruas, sujos e/ou inservíveis".

A nota enviada à coluna segue: "A Guarda Civil Metropolitana presta apoio às ações das Subprefeituras durante a execução dos serviços municipais, além de realizar a proteção dos agentes públicos, de acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana". Segundo a Prefeitura, para a Operação Baixas Temperaturas (OBT) 2023, foram criadas 1.769 novas vagas de acolhimentos em serviços emergenciais, como em Centros Esportivos, Núcleos de Convivência e aditamento em serviços já existentes.

A sugestão de Julio Lancellotti para tratar o problema é a chamada locação social, em que o governo custeia boa parte do aluguel em local escolhido pela própria pessoa, que terá que contribuir com 10% do seu ganho.

Para ele, essa estratégia é "muito mais humana", já que as próprias pessoas decidem por imóveis dentro da realidade que conhecem.

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