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Chico Alves

Obra que Bolsonaro visitou no Ceará estava 94% pronta antes de sua posse

Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

26/06/2020 17h12

A visita que Jair Bolsonaro fez hoje à cidade pernambucana de Salgueiro, divisa com o Ceará, para inaugurar trecho da transposição do Rio São Francisco virou (mais um) motivo de discussão política nas redes sociais. Apoiadores do presidente dizem que ele deu andamento à obra que foi abandonada por governos petistas. Já simpatizantes do presidente Lula ironizaram Bolsonaro por estar fazendo promoção em um empreendimento tocado pelos governos do PT.

Para tirar a dúvida, a coluna procurou o ex-ministro da Integração Nacional do governo Michel Temer, Pádua Andrade. Ele foi o último responsável por gerir o empreendimento, antes de Bolsonaro assumir a presidência. "Deixamos o Eixo Norte da transposição, onde o presidente esteve hoje, 94% pronto", estima Andrade, que atualmente é secretário estadual de Transporte do Pará.

"O Eixo Norte é composto por três elevatórias e a última delas chegou a ser inaugurada pelo presidente Temer. Mas após a inauguração ocorreram problemas com algumas placas que se soltaram. Fizemos um projeto de restauração e reforço, mas não conseguimos finalizar na nossa gestão", explica o ex-ministro.

Andrade prefere não entrar em disputa sobre quem fez mais ou menos. "A transposição é a espinha dorsal hídrica do Nordeste, que beneficia 12 milhões de pessoas de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará", define ele. "Parabenizo todos os presidentes, todos os ministros e todos os colaboradores que passaram nessa obra e deixaram sua contribuição".

Nas redes sociais, no entanto, esse espírito de grandeza não existe. Há uma guerra de hashtags entre bolsonaristas e petistas para reivindicar a autoria da obra.

Os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT), e de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), foram convidados por Bolsonaro para participar da cerimônia, mas disseram que não iriam comparecer, por estarem completamente dedicados ao combate à pandemia de coronavírus.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.