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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pesquisa do Insper mostra eficiência do PT no combate à desigualdade

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Imagem: Reprodução
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

24/10/2021 10h03

Há muitas décadas especialistas repetem, com razão, que a desigualdade é o maior problema do Brasil. O país é tão rico que costuma figurar entre as 10 maiores economias do mundo, enquanto boa parte da população está mergulhada em índices de pobreza comparáveis aos de nações miseráveis.

Foi justamente no enfrentamento a essa questão fundamental que os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tiveram desempenho destacado. A constatação é do insuspeito Insper, instituto que ninguém poderá acusar de ser petista. Os resultados da pesquisa foram publicados na Folha de S. Paulo.

O levantamento mostra que o índice Gini do Brasil, que mede o nível de pobreza, recuou de 0,583 para 0,547, entre 2002 e 2017. De acordo com os economistas, isso significa que 16 milhões de pessoas deixaram de ser pobres. A redução da desigualdade durou até 2015 e voltou a subir em 2016, mas a níveis menores que os de 2002.

Para ser justo, é preciso marcar que a redução na pornográfica disparidade econômica brasileira começou no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso. A partir do início da gestão petista, porém, a queda passou a ter um ritmo vertiginoso. E continuou assim até o último ano em que Dilma esteve na Presidência, antes do impeachment.

Não será descabido se algum adversário argumentar que a crise econômica verificada em 2015 colaborou para o recrudescimento da desigualdade nos anos seguintes. Mas a seu favor, a presidente tem cinco anos de bom desempenho nessa área.

Seja como for, a verdade é que Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, terá à mão um excelente argumento para desmontar a tese de adversários que repetem que o PT quebrou o Brasil.

Ainda restarão muitos motivos para criticar as gestões petistas. Os oponentes não vão esquecer do Mensalão e do Petrolão — este último, apesar dos absurdos cometidos pela força-tarefa da Lava Jato e pelo ex-juiz Sergio Moro —, dos gastos astronômicos na construção de estádios para a Copa do Mundo e outros temas. Mas fazer o país menos desnivelado socialmente é um feito que chama a atenção.

Principalmente nesses tempos em que a desigualdade chegou ao ponto de obrigar os brasileiros pobres a comprarem ossos e pés de galinha para terem alguma refeição — isso quando não comem o que catam no lixo, como se viu em Fortaleza —, esse trunfo que a pesquisa do Insper dá a Lula pode fazer muita diferença em um debate presidencial.

Pensando justamente na eleição, Jair Bolsonaro tratou de criar o Auxílio Brasil. Falta saber o que o candidato da chamada terceira via — se algum nome realmente vingar — apresentará para atrair os votos da população mais pobre. Seja como for, nessa área qualquer deles terá muita dificuldade para superar a credencial que o petista tem na manga.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL