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Chico Alves

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonarista, ministro da Defesa passa vexame em ofensiva contra TSE

Ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira  - Roque de Sá/Agência Senado
Ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira Imagem: Roque de Sá/Agência Senado
Chico Alves

Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro 'Paraíso Armado', sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.

Colunista do UOL

02/08/2022 18h39

Se alguém tinha dúvida sobre a intenção do general bolsonarista que comanda o Ministério da Defesa, ele não poderia ser mais claro. Paulo Sérgio Nogueira pretende ser uma espécie de versão fardada do Chacrinha, o apresentador de TV que não tinha como objetivo explicar, mas sim confundir.

Isso ficou evidente com o pedido feito hoje em caráter "urgentissimo" pela Defesa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que seja franqueado à pasta o acesso ao código-fonte do sistema de urnas eletrônicas — mais um capítulo na novela em que os fardados pretendem ser os "supervisores" das eleições.

Ocorre que o acesso ao código-fonte está liberado desde outubro de 2021.

Várias entidades cadastradas no TSE já consultaram essas informações. Só agora, a pouco mais de dois meses da votação, o Ministério da Defesa pede para fazer o mesmo.

O detalhe que aumenta o ridículo é o selo de "urgentissimo" colocado no pedido do ministério.

Em uma temporada eleitoral tão tensa como a atual, pelas seguidas ameaças do presidente Jair Bolsonaro à normalidade democrática, tudo o que o país não precisa é que o representante das Forças Armadas traga ainda mais stress ao ambiente. Infelizmente, o general bolsonarista da Defesa não faz outra coisa que não seja colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral.

No pedido tardio do código-fonte, o ministério tentou escapar do mico argumentando que só fez a solicitação agora porque resolveu esperar a reunião técnica. As outras entidades do grupo, porém, não precisaram esperar tanto.

O vexame do ministro poderia ter sido evitado se as Forças Armadas se limitassem ao trabalho que fazem há décadas: logística de distribuição e segurança das urnas.

Nogueira, no entanto, segue os preceitos do bolsonarismo, cuja base é a desinformação.

A julgar pela obstinação do ministro da Defesa, outros vexames semelhantes virão.