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Constança Rezende


Testemunha que insultou repórter é chamada de herói por site bolsonarista

Hans River - Reprodução YouTube
Hans River Imagem: Reprodução YouTube
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

13/02/2020 04h00

Após prestar depoimento na CPMI das Fake News no Congresso e insultar a repórter da Folha Patrícia Campos Mello, Hans River do Rio Nascimento gravou um vídeo para o site Movimento Avança Brasil, plataforma que apoia o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O ex-funcionário de uma agência de disparos em massa por WhatsApp foi abordado ainda no corredor do Senado por Joaquim Gomes, que pediu uma entrevista a Hans River, chamando-o de "herói do dia". Ele riu e topou. "Para mim, você foi imparcial, você falou a verdade. A nossa página é uma página que apoia o governo federal, mas nós queremos a verdade", disse Gomes.

Ao ser questionado pelo interlocutor se havia sofrido algum tipo de pressão ou ameaça para falar na CPMI, Hans River respondeu que tentaram fazer com que ele falasse mal de Bolsonaro.

"Tentaram me impor uma situação, eu não vim aqui para declarar a favor de um partido ou de outro, para falar a favor do Bolsonaro, apesar de você ver que estavam tentando forçar aquela situação de falar assim: Bolsonaro fez isso, ou Bolsonaro fez aquilo", respondeu. O vídeo recebeu a chamada "Exclusivo: testemunha que detonou o PT na CPMI das Fake News" e foi postado na página do grupo no Facebook.

Na descrição da página do grupo, o movimento diz que tem "milhões de ativistas e colaboradores" e que são "livres e de bons costumes, trabalhando na transformação do Brasil". Também afirma ter como um de seus conselheiros Olavo de Carvalho, a quem descrevem como "polemista e um dos poucos representantes do pensamento conservador no Brasil".

Nesta quarta, a relatora da CPMI, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), disse que iria acionar o Ministério Público para investigar Hans River do Nascimento, por ter mentido durante o seu depoimento. Sem apresentar provas, ele afirmou que Campos Mello queria "um determinado tipo de matéria a troco de sexo", declaração repercutida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) durante o depoimento e nas redes sociais.