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Ex-secretário da Saúde vê retrocesso em nova metodologia de dados da covid

Wanderson Oliveira - Adriano Machado/Reuters
Wanderson Oliveira Imagem: Adriano Machado/Reuters
Constança Rezende

É colunista do UOL em Brasília. Passou pelas redações do Estadão no Rio de Janeiro, O DIA e Jornal do Commercio.

Colunista do UOL

09/06/2020 13h20Atualizada em 09/06/2020 13h25

O ex-secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, lamentou o que chamou de "retrocesso" sobre a nova metodologia da divulgação de dados sobre a covid-19 no Brasil, anunciada pelo Ministério da Saúde. O desabafo foi feito em uma "live" com especialistas, na noite desta segunda-feira.

A transmissão ocorreu pouco tempo depois de o Ministério da Saúde avisar que havia recuado da ideia de não divulgar os números acumulados de mortes e de casos confirmados da covid-19. Porém, manteve a proposta de divulgar o número de óbitos e de casos confirmados efetivamente ocorridos no dia e não nos registrados nas últimas 24 horas.

"Tenho fé de que vai se reverter esse processo, que não leva a lugar nenhum. A matéria-prima do epidemiologista é o dado. Se eu não tenho o dado, eu não consigo fazer nada. Não consigo criar nada, nem ajudar o gestor. Lamento que a gente tenha retrocedido tanto na informação que a gente vinha fazendo", afirmou.

Oliveira disse que, durante a sua trajetória no ministério, nunca observou um cerceamento à informação. Ele citou os governos de Dilma Rousseff e Michel Temer no combate de outras doenças.

"As informações sempre tiveram acessíveis, com a precisão, as qualidades e os defeitos que elas têm", disse. "Não foi para aprimorar, porque retiraram todos os gráficos, o banco de dados. Agora está voltando de novo, falaram que foi um problema, o que pode ter sido mesmo. Não estou entrando no mérito da motivação, o importante é ter o dado. Todo dado que não está classificado pela Lei de Acesso à Informação é público, por natureza", completou.

Wanderson chefiava a secretaria encarregada de organizar os dados da pasta, antes de ser exonerado. Ele ficou no cargo nas gestões dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Doutor em epidemiologia, ele coordenou o trabalho da pasta no combate à pandemia de influenza e à síndrome da zika congênita.

Também ontem à noite, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou o governo Jair Bolsonaro retomar a divulgação na íntegra dos dados acumulados de mortes e dos casos confirmados de Covid-19 no site do Ministério da Saúde.