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Jamil Chade

Continente americano é atual centro da pandemia, declara OMS

Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus - Foto:Michael Dantas/AFP
Cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus Imagem: Foto:Michael Dantas/AFP
Jamil Chade

Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.

Colunista do UOL

12/05/2020 07h10

Resumo da notícia

  • "O Brasil está certamente vendo um aumento grande de casos", afirma porta-voz da entidade
  • Liderança é dos EUA, em mortes e número de casos

Com casos se proliferando nos EUA, Brasil, Peru e outros países, a OMS deixa claro que o continente americano está na liderança da pandemia hoje no mundo.

"Definitivamente, o continente americano é o atual centro (da pandemia)", afirmou Margaret Harris, porta-voz da OMS, em resposta à coluna. "As Américas estão certamente dirigindo a pandemia no mundo, com maior número de casos e mortes", disse, numa coletiva de imprensa nesta manhã em Genebra.

"O Brasil está certamente vendo um aumento grande de casos", disse. Segundo ela, porém, o maior número continua sendo registrado nos EUA.

Até a manhã de segunda-feira, as Américas somavam nos documentos da OMS 1,7 milhão de casos, contra 1,73 milhão na Europa, de um total de 4 milhões de casos. Nesta terça-feira, o continente americano já superava os europeus, com 1,74 milhão de casos, contra 1,73 milhão.

Considerando apenas os últimos 14 dias, o continente americano também supera todo o restante do mundo.

Com 162 mil casos, o Brasil já é o sétimo colocado, superando a Turquia e França e se aproximando da Alemanha.

Questionada por jornalistas estrangeiros uma vez mais sobre Brasil e EUA e a decisão de ignorar os alertas, Harris evitou criticar países específicos e indicou que "muitos países" pelo mundo não tinham experiência sobre o que uma pandemia poderia causar para suas sociedades.

"Pelo mundo, vimos que os alertas não foram vistos como algo de uma doença séria. Isso em várias partes do mundo", disse, uma vez mais sem citar governos. Segundo ela, comunidades não tinham memória de tais eventos e se focaram em notícias de que 80% da população não desenvolveria a doença de forma crítica. Mas 20%, porém, continua sendo um número enorme e, sem preparação, são traduzidas em mortes.

Nos últimos dias, o Brasil vem aparecendo entre os dois maiores números de novos casos de contaminação no mundo, em termos absolutos. Em mortes diárias, as taxas também já superam os números de Espanha, Itália ou Reino Unido.

De acordo com os dados do Centro Europeu de Controle de Doenças, o Brasil ainda foi o país com o terceiro maior número de casos absolutos nos últimos 14 dias.

Na segunda-feira, o diretor da OMS para operações, Michael Ryan, se disse preocupado com países que "continuam dirigindo cegos", numa alusão à falta de testes e do reconhecimento da gravidade do caso, da falta de medidas de distanciamento social ou de testes.

Segundo ele, alguns governos não agiram no início e, agora, terão uma segunda chance. Mas a "séria cegueira" de alguns pode afetar a capacidade de dar uma resposta.

O diretor da OMS não citou nomes de países. Mas deixou claro que tal situação vem deixando os especialistas preocupados. Nas últimas semanas, as preocupações da agência em relação ao Brasil foram evidentes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL